Bolha Econômica

por Lucas G. Freire

O governo Dilma anunciou, às vésperas da eleição, um pacote econômico que injetará mais moeda e crédito na economia. O objetivo do pacote é estimular o investimento e o consumo, trazendo um crescimento imediato a certos setores da economia.

O cristão não tem motivo prático ou moral para celebrar.

Primeiro, sabe-se que tais estímulos são fruto da distorção dos pesos e medidas que o governo teoricamente deveria preservar no seu papel de promover a justiça pública. Nesse caso, pelo contrário, o governo está depreciando a moeda ao aumentar a sua oferta na economia brasileira.

Pela imoralidade dessa fraude, o cristão se entristece.

Em segundo lugar, no contexto imediato essa é uma medida que, de fato, traz uma certa expansão à economia. As coisas poderão parecer ter melhorado, e é inegável a sagacidade (ainda que malévola) do governo Dilma em fazer a operação: se as coisas melhorarem a tempo, isso poderá ajudar na reeleição da presidente que, doutra sorte, tem se saído mal como figura pública pouco carismática e preparada.

Por essa busca do bem partidário em detrimento do bem comum, o cristão cristão se entristece.

Em terceiro lugar, embora tenha algum resultado inicial positivo, no longo prazo essa é uma medida extremamente prejudicial à economia. As primeiras pessoas a receberem a nova moeda e crédito (em geral, empresas favorecidas pelo governo, ou empresários favorecidos pelos bancos que fazem grandes empréstimos) se beneficiam pelo fato de terem, de repente, mais dinheiro.

Com o súbito aumento do uso desse dinheiro, alguns bens ficarão em falta, e seu preço aumentará. Isso será, também, um sinal para que esses bens específicos sejam produzidos em maior quantidade. O setor beneficiado vai se aquecer, mas no longo prazo ficará provado que a base desse aquecimento foi empréstimos com o novo “dinheiro fácil”, empréstimos que não serão completamente pagos.

Isto vai acontecer nos setores especificamente aquecidos por esse tipo de medida. O setor da engenharia e construção tende a ser favorecido por esse tipo de medida. Esse setor poderá crescer e parecer sólido. É que projetos arriscados que, com os juros altos de antes, não teriam conseguido financiamento, agora, conseguem. No longo prazo, muitos desses projetos que nunca teriam existido vão, de fato, entrar em colapso, e o setor inteiro sofrerá com um estouro da bolha.

Por esse desastre econômico que poderia ter sido evitado, o cristão se entristece.

Além do mais, isso tudo é uma espécie de redistribuição. Os mais pobres e a classe média, não tendo acesso fácil ao “dinheiro fácil”, acabam pagando o preço maior: quando o novo dinheiro e crédito chegar até eles, os preços dos setores artificialmente aquecidos já terão subido – e provavelmente o resto dos preços também. Assim, eles acabarão pagando caro pelo suposto crescimento econômico.

Por essa distorção que tira dos pobres e dá aos ricos, o cristão se entristece.

Porém, o governo Dilma é astuto. Caso a bolha estoure e a presidente tenha sido reeleita, uma terceira reeleição não é constitucionalmente possível e, portanto, o governo Dilma só precisa pensar no “aqui e agora”. Quando o caos vier, por pelo menos 4 anos, será problema de outro. Caso ela não seja reeleita, a bolha vai estourar num governo de oposição, que ficará na história marcado como o responsável pelo desastre econômico. Aí, 4 anos mais tarde, é exatamente a crise gerada pelo governo Dilma que dará ao PT uma vitória eleitoral, fingindo que o problema tenha sido causado pela oposição, seja ela qual for.

Por essa brincadeira com o emprego e a vida de milhões de brasileiros, ricos e pobres, o cristão se entristece.

A prática da expansão monetária em ano eleitoral é bem conhecida dos economistas e cientistas políticos. Ela só ajuda dois grupos: as víboras em Brasília que têm nas mãos as rédeas do governo federal, e seus clientes, em geral, banqueiros e empresários em setores especialmente protegidos por essas serpentes.

O crescimento econômico aparente é só isso: aparência. Na média e no longo prazo, nem todos estaremos mortos, e sim, mais pobres. E o PT sairá praticamente ileso e vitorioso, a não ser que essa canalhice seja denunciada com voz profética semelhante à de Isaías:

Como se fez prostituta a cidade fiel! Ela que estava cheia de retidão! A justiça habitava nela, mas agora homicidas. A tua prata tornou-se em escórias, o teu vinho se misturou com água. Os teus príncipes são rebeldes, e companheiros de ladrões; cada um deles ama as peitas, e anda atrás das recompensas; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa da viúva. Portanto diz o Senhor, o Senhor dos Exércitos, o Forte de Israel: Ah! tomarei satisfações dos meus adversários, e vingar-me-ei dos meus inimigos (Is. 1:21-24).

Essa é, felizmente, uma voz de esperança:

Portanto diz o Senhor, o Senhor dos Exércitos, o Forte de Israel: Ah! tomarei satisfações dos meus adversários, e vingar-me-ei dos meus inimigos. E voltarei contra ti a minha mão, e purificarei inteiramente as tuas escórias; e tirar-te-ei toda a impureza (Is. 1:24-25).

Por essa promessa de esperança, que foi consolo no passado e que hoje nos lembra duma esperança maior e dum futuro melhor, onde toda a injustiça terá terminado – por essa Palavra e seu Executor, o cristão se alegra.

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2 pensamentos sobre “Bolha Econômica

  1. Lucas, como sempre seus textos seguem o padrão da excelência e fundamentalmente do enfoque bíblico. Meu comentário aqui é a título (1)dizer que não tenho dúvidas de que na política atual, injeção de moeda com base a dar crédito visando investimentos e consumo, significa continuar o plano de dar aos bancos o poder administrativo de créditos, que são a galinha dos ovos de ouro com suas taxas de juros. (2)Expressar minha indignação com a manobra econômica uma vez que ela claramente, atenderá as demandas da agenda política de juros e impostos, que reproduz a ideia falsa de livre democracia, onde o cidadão se vê na oportunidade de usar um crédito para atuar como empreendedor ou consumidor, mas sua única opção é pagar as taxas abusivas dos credores para ajustar a injeção de moeda (o que denuncia a política ditatorial sobre a economia) e superfaturar para o Estado que usará dados apontando para lucros na retórica imoral de que “os fins justificam os meios”.

    • Obrigado pelo comentário. O problema, na verdade, é mais complexo. A política de estímulo ao crédito é exatamente uma política de deixar os juros mais baixos (por regulação econômica) do que naturalmente ficariam. Os bancos e credores tiram vantagem disso não por causa dos juros, e sim porque o governo regula o setor bancário de forma tão ferrenha, que há pouca concorrência para os grandes bancos. E, se algum começar a quebrar porque as pessoas não estão pagando de volta o “dinheiro fácil”, o governo mais ou menos garante resgatá-los. É claro que o governo vai usar um discurso anticapitalista e anti-finanças antes de fazer isso, mas é hipocrisia, pois de capitalismo esse sistema não tem nada.

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