Os primeiros cristãos eram socialistas?

São três as passagens mais citadas por gente de esquerda sobre este ponto. Porém, cada uma delas tem sua explicação:

1 – Jesus expulsou a chicotadas os mercadores do Templo.

golan-heights-176914_1920Sim, mas é preciso ler corretamente os evangelhos: Mateus 21, Marcos 11, Lucas 19 e João 2. Não eram simples “mercadores”; eles comercializavam a religião. A cada festa da Páscoa, vendiam as pombas e animais para os sacrifícios no Templo. E os cambistas trocavam o dinheiro grego e romano dos peregrinos por moedas judaicas, as únicas autorizadas para as oferendas. O templo, “Casa de Oração”, e não de negócios, se encontrava tomado por todo esse ruído e desordem.

Jesus nada tinha contra o trabalho e o comércio: ele e sua família eram carpinteiros; boa parte de seus discípulos era de pescadores; e suas maiores lições sobre o Reino de Deus são as “parábolas agrícolas”, com vinhas e propriedades, senhores e trabalhadores: nada tinham contra o capitalismo nem a favor do socialismo. O comércio com o sagrado é algo distinto; por isso aquele ato foi o equivalente a hoje expulsar a chicotadas esses pastores que enriquecem com dízimos e ofertas, “promessas” e “pactos”. Continuar lendo

Capitalismo nos Dez Mandamentos?

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“Socialismo, como toda tirania, histórica ou atual, é uma transgressão completa e gravíssima de cada um dos dez mandamentos”

“Em que parte da Bíblia há apoio para o capitalismo?”, me perguntam no rádio. Digo que principalmente nos Dez Mandamentos, o resumo da lei de Deus, ao condenar e proibir severamente todo tipo de abuso de poder e idolatria, incluindo a que se rende ao Estado. Porém, vamos por partes.

Primeiro, o que é o capitalismo? É o nome dado pelos comunistas ao “sistema de economia natural” ou de livre mercado que surgiu de maneira espontânea quando havia “governo limitado”, o sistema político que Deus ordena na Bíblia: em seus cinco primeiros livros, especialmente Deuteronômio. Ele já não existe porque em quase toda parte as esquerdas impuseram um governo totalitário e socialista sem limites, contrário à natureza das coisas, que o substituiu.

E o socialismo? É o oposto do capitalismo, e a forma atual de estatismo ou estatolatria. Como toda tirania, histórica ou atual, é uma transgressão completa e gravíssima de cada um dos dez mandamentos. Veja Êxodo 20 e compare: Continuar lendo

As propostas políticas do Príncipe da Paz

achernar-2-sHá muito debate sobre a data em que a Igreja católica (aquela do artigo 9º do Credo Apostólico) se lembra de uma forma especial do nascimento do Salvador. Vamos deixar este debate de lado por um momento. Fato é que, pelo menos para a Igreja do hemisfério Norte, o final de dezembro é uma época muito apropriada para se lembrar da vinda do Príncipe da Paz. É no final de dezembro que ocorre o solstício de inverno, que marca o dia mais curto do ano. Em outras palavras, é a época quando as trevas mais demoram e se prolongam. Também na Palestina.

É chamativo o fato de que a Igreja veterotestementária esperava a vinda da Luz para espantar as trevas. Quando o sacerdote Zacarias, cheio do Espírito, profetizou acerca do nascimento e ofício do seu filho João Batista, ele fez questão de declarar que a salvação e redenção tão esperadas tinham tudo a ver com a certeza que “… nos visitará o sol nascente das alturas, para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz.” (Lucas 1.78) Continuar lendo

7 princípios cristãos para uma política realista

por Kevin D. Young

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“Estamos em um mundo caído. As coisas não são como deveriam ser. A utopia não é possível. Portanto, as decisões políticas devem lidar com o equilíbrio, pesando os prós e contras”

A Bíblia é um livro grande, de modo que há uma série de coisas que podem ser ditas no esforço de formar uma visão política de mundo a partir dos princípios bíblicos. Mas isto aqui é um blog, não um livro. Então deixe-me tomar apenas uma área doutrinária e destrinchar algumas implicações possíveis.

Creio que nossas mais importantes considerações políticas nascem de uma compreensão apropriada da pessoa humana. Quanto mais nossos políticos e instituições políticas agirem em acordo com o modo como as coisas realmente são e o modo como nós realmente somos, mais cresceremos como nação. Continuar lendo

“Fatos, não palavras”

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“O ditado ‘fatos, não palavras’ é irracional; e é imoral, tóxico e contaminante, além de potencialmente destrutivo para uma civilização”

Esse ditado resume a filosofia mais idiota, perversa e daninha que se possa imaginar. Porém, é amplamente popular, porque o ódio à palavra, à inteligência, à ciência, e ao estudo, que é o meio de se alcançar sabedoria, é precisamente a filosofia que a imensa maioria das pessoas hoje abraça.

É o que diriam os animais, se pudessem expressar-se com palavras. Muitas pessoas se comportam como animais, em uma época que idolatra os animais, e pretende atribui-lhes “direitos”, e tratá-los como “pessoas não humanas” (?). “Fatos, não palavras! Quero minha comida agora!”, nos diria o gato, se falasse. “Fatos, não palavras! Leve-me à rua para fazer xixi e cocô”, nos diria o cachorro, se pudesse. Eles não foram dotados com esse dom, ligado ao pensamento racional, e à comunicação racional entre pessoas mediante a expressão, verbal ou escrita.

Parece que esta frase, em latim “Res et non verba”, se originou em Roma, quando os toscos e iletrados campesinos e soldadinhos romanos fizeram contato com os gregos, dados ao cultivo da filosofia, ao diálogo e ao debate. Os romanos, ao contrário, dados às superstições, advinhações, astrologia e ao pensamento mágico, consideravam essa ignorância rebelde e contumaz, que se subleva contra a erudição, como um “senso prático”. Porém, “nada mais prático do que uma boa teoria”, escreveu José Ortega y Gasset. Continuar lendo

O STF e o impeachment: entenda o voto de Fachin

por Vinícius S. Pimentel

Ministro Edson Fachin em sessão plenária. Foto: Carlos Humberto/SCO/STF

A decisão do ministro, caso seja acompanhada pelos demais membros do STF, impõe várias derrotas às teses defendidas pelos governistas. (Foto: Carlos Humberto/SCO/STF)

Na última quarta-feira, 16, o Supremo Tribunal Federal iniciou o julgamento da medida cautelar na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 378, proposta pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), a qual questiona a conformidade à atual Constituição da República de diversos dispositivos da Lei 1.079/1950, que trata dos crimes de responsabilidade dos agentes políticos e regula o processo de impedimento (impeachment). O ministro Edson Fachin, relator do processo, rejeitou a maior parte dos pedidos liminares do partido e reconheceu a validade do procedimento até aqui adotado pela Câmara dos Deputados. Após o voto do relator, a sessão foi suspensa e será retomada nesta quinta, 17.

O caminho adotado por Fachin seguiu o que ele mesmo chamou de “autocontenção” do Poder Judiciário perante o Legislativo, ao afirmar que “não cabe ao STF editar normatização sobre a matéria”. Em vez de atuar como “legislador positivo”, o ministro optou por uma proposta comedida, afirmou que as regras para o processo de impeachment estão previstas na Constituição e na Lei 1.079/1950 e reconheceu a autonomia da Câmara dos Deputados e do Senado para aplicar os seus respectivos regimentos no que se refere às normas de “auto-organização”. Continuar lendo