Qualidade de vida?

por Lucas G. Freire

A Suécia é um país muito menos socialista que o Brasil, mas mesmo assim há quem pense que a qualidade de vida naquele país se deva a essa ideologia.

Em todo caso, há quem não entenda que certas coisas que são chamadas de “qualidade de vida” na verdade são problemas sob disfarce.

Julia Carvalho, na revista Exame, traz as últimas sobre aquele país exótico. Ela menciona que alguns funcionários na prefeitura de Gotemburgo estão trabalhando apenas 6 horas por dia durante 1 ano, como um experimento.

Na matéria, um político do Partido da Esquerda elogia o progresso dessa mudança, e que poderia em tese se estender a mais pessoas depois do experimento. Isso seria uma forma de gerar emprego.

Além de não fazer muito sentido econômico ou lógico, isso tem muito pouco a ver com “qualidade de vida” ou bem-aventurança no sentido bíblico do termo.

A Bíblia tem um conceito marcadamente distinto de felicidade. Ela liga felicidade ao trabalho. É isto o que ela declara ao homem que “teme ao SENHOR” e “anda nos seus caminhos”, na sua vida diária, no seu ganhã-pão: “do trabalho das tuas mãos comerás” e, por isso, “feliz serás e tudo te irá bem” (Sl 128.1-2).

Qualidade de vida tem muito mais a ver com o bom e responsável exercício duma vocação digna e honesta, com afinco, durante seis dias da semana, para então descansar com satisfação no sétimo, dando graças a Deus e sustentando a si próprio e aos que dependem de si.

Essa lição os suecos tinham em mente quando se ergueram como uma grande nação no passado, quando o cristianismo era bastante influente naquela cultura.

Hoje, parece que o conceito de “qualidade de vida” se inverteu por lá. Ou talvez tenha se invertido por aqui, no nosso país, fato refletido pelas palavras de Julia Carvalho.

Aborto: Não basta ser contra

por Lucas G. Freire

Entre nossos políticos e burocratas, assistentes sociais e ativistas, militantes e intelectuais, existe uma tendência a tratar o aborto como prática normal, e sua liberalização como um alvo desejável. O aborto que se pretende legalizar no Brasil é um tipo de homicídio. Os que desejam sua legalização querem que o governo promova aquilo que é mau e dificulte aquilo que é bom. Nessa inversão de vida e morte, a mulher que teme a Deus nada contra a corrente da sociedade contemporânea. Faz ela muito bem.

Porém, sua estratégia muitas vezes é incompleta. É que, em diversas ocasiões nosso combate ao mal deixa a desejar, não vai além do básico. Para não dizer falso testemunho contra o próximo, basta fechar a boca. Para defender a honra do seu próximo, em palavra e pensamento, é preciso um esforço consideravelmente maior. Na luta contra o pecado, a tendência é pensar que basta não fazer o mal. É muito mais difícil ir além, promovendo ativamente o bem que esse pecado fere.

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Igreja, Israel e História

por Kenneth Wieske

Nas minhas leituras diárias particulares, estou neste momento lendo a carta de Paulo aos Efésios. No capítulo 1, fiquei mais uma vez impressionado como o apóstolo enfatiza a posição central da Igreja no plano eterno de Deus executado na história.

E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas (Ef. 1:22-23).

Toda a autoridade na terra e no céu foi dada a Jesus Cristo. Ele é o Rei dos reis, o Senhor dos senhores. Ele tem autoridade e soberania total sobre todo o universo. Todo esse poder Ele exerce a favor da igreja.

Tudo o que acontece no universo, seja a implosão de estrelas ou o voo dos cometas, seja a ascensão dos reis ou sua queda, e todas as outras coisas que se leem na manchete dos jornais, ou os pequenos detalhes e dificuldades diárias na nossa própria vida – todas essas coisas são parte do governo glorioso e soberano de Cristo.

É assim que Ele dirige a história, fazendo-a progredir inexoravelmente até o dia em que trará Sua noiva às mansões celestiais que Ele lhe tem preparado na Nova Jerusalém, para uma eternidade de comunhão e celebração alegre e perfeita.

Pense nisso ao ler os jornais. O Senhor Jesus faz as notícias acontecerem por meio de Sua autoridade, para o Seu propósito, e em favor de Sua igreja. A igreja não é mero rodapé da história. Ela não está parada num canto obscuro da história. Aliás, a igreja, em Cristo e sob Cristo, está no centro e é o sentido de toda a história mundial.

“E Israel?”

Em nosso contexto fortemente dispensacionalista, a pergunta surge para muitos: onde fica Israel em tudo isto? Boa parte do movimento evangélico moderno tem um fascínio por Israel. Os judeus são vistos muito mais como o povo de Deus que os gentios.

As Escrituras não ensinam assim. Ser membro do povo de Deus não é questão genética, e sim de fé nas promessas do evangelho. Todos os que crêem são filhos de Abraão. É só continuar lendo um pouco mais na mesma carta, e deparamos com aquilo que Paulo também ensina em outros lugares como Romanos 11, por exemplo: o gentios fazem parte do povo de Deus, como um ramo enxertado numa oliveira faz parte da oliveira. Vemos este ensino no capítulo três de Efésios.

Os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho (Ef. 3:6).

Nesse versículo, Paulo enfatiza três vezes essa participação igual e plena dos gentios no povo de Deus. Esta foi a boa-nova chocante, maravilhosa e de alcance mundial que os apóstolos proclamaram: depois de milênios operando principalmente com a nação de Israel como um povo étnico, Deus está agora incluindo em ampla escala os gentios, para que sejam co-herdeiros, co-membros e co-participantes.

Se você é um crente gentio, você não é cidadão de segunda categoria no reino de Deus. Você é um membro em pé de igualdade, membro pleno do Corpo, junto com os judeus que creem no Cristo, irmãos e irmãs de você.