José do Egito, Socialista

por Lucas G. Freire

Muita gente conhece a história bíblica de José, um dos filhos de Jacó que foi, por causa da inveja dos irmãos, vendido como estravo ao Egito. Pouca gente olha para o lado político da história. José foi abençoado por Deus e acabou ajudando Faraó a combater uma crise econômica, guardando cereal durante a época de prosperidade para usar na época de “vacas magras”. José, aliás, foi nomeado governador da terra – uma espécie de “planejador central” da economia. Com isso, ele expandiu imensamente o poder de Faraó às custas do povo egípcio e dos estrangeiros que vinham em busca de alimento durante a crise. De escravo, José passou a ser o escravizador do Egito.

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Cai a Máscara da Política Educacional do Governo

por Kenneth Wieske

Uma reportagem do Fantástico indica que cerca de mil famílias brasileiras educam os filhos em casa. Algumas têm sido legalmente perseguidas, sob alegação de estarem violando o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Imagine a seguinte manchete: “Pais brasileiros lutam pelo direito de alimentar seus filhos em casa”. Imagine o artigo no jornal, explicando que tem alguns (poucos) pais que estão alimentando seus próprios filhos, longe dos refeitórios coletivos ordenados pelo governo. Imagine a reação chocada da maioria da população, que não entende como é possível que pais estejam abandonando o alimento saudável pelo cardápio feito pelos nutricionistas do governo, para alimentar os filhos nas casas onde nem tem inspeção da cozinha pela ANVISA!

Não seria absurda uma situação dessas? Bom, não é menos absurda a situação mostrada na reportagem do Fantástico que nos fala de pais que precisam lutar pelo direito de educar seus filhos. Desde quando se tornou necessário lutar por algo que já nos pertence? É necessário lutar pelo direito de respirar? De pensar?

Note bem o comentário da pedagoga Maria Stela Graciani, citada na reportagem. Ela não consegue criticar a educação domiciliar por algum defeito pedagógico ou acadêmico: é comprovado que o desempenho escolar de crianças educadas em casa supera em muito a média das crianças educadas em escolas. Um estudo recente de quase 12.000 alunos revelou que as crianças educadas em casa saírem em média com 30 pontos percentuais a mais do que os alunos educados nas escolas. Como a professora não consegue comprovar que educação no lar é abandono intelectual, veja que sua maior crítica se resume a isto: as crianças que não são obrigadas a participar de uma escola perdem “a essência da convivência comunitária”, diz a pedagoga.

Desde quando o propósito da escola é proporcionar ou ensinar a “essência da convivência comunitária”? Não tem igrejas? Não tem a família? Não tem os vizinhos no bairro? Não tem os colegas das aulas de ballet, de música, e outras atividades artísticas ou esportivas?

As palavras da pedagoga são muito alarmantes. O governo deseja ter os nossos filhos no seu sistema educacional em primeiro lugar não para os educar, mas antes para os socializar. E o tipo de sociedade que o governo quer inculcar na cabeça dos nossos filhinhos muitas vezes é bem diferente do tipo de sociedade que nós queremos para eles.

Novo Editor – Departamento Teológico

Política Reformada tem o privilégio de anunciar um acordo feito com o Rev. Kenneth Wieske, que será o Editor do Departamento Teológico. “Kennedy” é pastor e missionário ordenado pelas Igrejas Reformadas Canadenses (CanRC). Auxilia as Igrejas Reformadas no Brasil como plantador de igrejas e é um dos diretores do Instituto João Calvino.

Kennedy se formou na McMaster University e é Mestre em Divindade pelo seminário teológico das Igrejas Reformadas Canadenses. O Departamento Teológico contribuirá com comentários a respeito de notícias, artigos e princípios teológicos e confessionais de cunho mais geral. Também ficará encarregado de reflexão sobre algumas passagens bíblicas relevantes às temáticas de governo limitado, e aspectos da história das igrejas reformadas no mundo.

Liberdade de Expressão não é só para Falar de Futebol

por Lucas G. Freire

“Liberdade de expressão não foi garantida só para falar do clima”, disse certa vez Ron Paul, o maior político da nossa geração. Ron Paul está certo: a proteção da liberdade de consciência e de expressão emergiu em todo lado do mundo a fim de proteger os que discordam, os que polemizam, os que criticam. É muito perigoso quando o Estado tem a arrogância de definir o que pode e não pode ser dito, e o que pode e não pode ser pensado.

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Sim! O Chefão do Senado Federal tem Princípios. Mas…

_jan2797Existem aqueles que se preocupam só com o momento, com o que uma pessoa fez aqui e agora, e com os efeitos desse ato. Existem também os que se preocupam com os princípios informando o ato. Um ato, cá entre nós, nunca é uma ação isolada de qualquer contexto. E, para dizer a verdade, às vezes o ato nem precisa existir, mas se o princípio lá estiver, então já temos motivo de preocupação. Onde há fogo, haverá fumaça.

Denunciado pela Procuradoria-Geral da República, um certo Senador sobe novamente ao cargo de Chefão do Senado Federal. Esqueça quem ele é e esqueça que é acusado pela Procuradoria-Geral de pelo menos três crimes. Esqueça, em outras palavras, a fumaça. Concentre-se no fogo. Eis aqui a declaração deste incendiário, retirada do seu discurso de candidatura ao cargo:

A ética não é objetivo em si mesmo. O objetivo em si mesmo é o Brasil, o interesse nacional. A ética é meio, não é fim. É obrigação de todos nós, responsabilidade de todos nós e dever desse Senado Federal.

Isso já é motivo de sobra para me preocupar.

Primeiro, que é isso chamado Brasil? Será que ele se refere ao Brasil dos Senadores, ou ao Brasil do povo que, seja ingênuo ou mal-intencionado, os mantém no poder? É o Brasil de Brasília, ou o Brasil dos que votam para explorar o próximo? Ou será o Brasil dos oprimidos pela máquina do sistema corrupto?

Em segundo lugar, “Interesse nacional”? Que nação? A que se tem dividido cada vez mais por conta das políticas de redistribuição que o Senado e o Congresso impõem para manter o povo controlado? Oh! Quantas atrocidades já foram feitas na história em nome do “interesse nacional”!

E então, a pérola reluzente gerada por essa mente maquiavélica: “A ética é meio, não é fim”. Meio para que fim? Existem pelo menos dois “fins” conflitantes aqui, e é exatamente a ética que consegue resolver o problema de qual “fim” é o mais virtuoso.

De um lado, existe o interesse dos que querem simplesmente viver e deixar viver. Querem ficar em paz, na nossa sociedade, seja na comunidade local, seja com projeção nacional e internacional, trabalhando honestamente, comprando e vendendo para buscar o que desejam.

De outro lado, existe o interesse dos que desejam explorar desonestamente os frutos desse trabalho. Se não tem coragem de roubar, matar e defraudar, sua covardia é sempre instrumental na hora de delegar esse poder a outras pessoas de índole semelhante.

Uns delegam o poder de explorar o próximo ao Senado e ao Congresso Federal. Outros oferecem seus serviços para legitimar a espoliação da vida, propriedade e liberdade, ao se candidatarem para o cargo de Deputado, Senador e até mesmo Chefão do Senado Federal.

Não é necessariamente uma acusação da Procuradoria-Geral da República que me faz desconfiar deste ou daquele político. Eu vejo o que o sujeito se dispõe a fazer pelos seus eleitores – se deseja promover a justiça pública (como uma pequena minoria) ou se propõe o crime de perpetuar um sistema baseado no roubo, fraude, corrupção e violência.

Antes de supostamente cometer os crimes citados pela Procuradoria-Geral da República, o novo Chefão dos Senadores jogou o jogo dos populistas. Prometeu tirar de um certo grupo para dar aos seus eleitores. Prometeu cometer esse tipo de crime que fere a ética, embora talvez não fira necessariamente a nossa lei no papel.

Os eleitores aceitaram de bom grado o fogo da redistribuição, que tem consumido toda a nossa República. Aceitaram o sistema que promove o princípio, o fogo da ladroagem, e agora reclamam da fumaça.

O Chefão do Senado tem princípios. Ele afirma que sua ética serve o interesse da nação. Que nação? A nação que acha legítimo furtar. A nação dos seus eleitores, que continuam reelegendo gente como ele. Eu não faço parte desta nação. A minha nação está em luta contra a dele. A minha nação tem uma ética diferente da dele. “Não furtarás”.

Para assinar a petição contra o Senador referido acima, veja este abaixo-assinado.