Bolha Econômica

por Lucas G. Freire

O governo Dilma anunciou, às vésperas da eleição, um pacote econômico que injetará mais moeda e crédito na economia. O objetivo do pacote é estimular o investimento e o consumo, trazendo um crescimento imediato a certos setores da economia.

O cristão não tem motivo prático ou moral para celebrar.

Continuar lendo

Rato no Refrigerante

por Lucas G. Freire

A televisão mostrou recentemente a triste história de um homem que está processando a Coca-Cola brasileira na justiça de São Paulo.

O caso tem gerado bastante polêmica, pois a vítima tem problemas de saúde atribuídos ao consumo de uma amostra defeituosa do refrigerante.

Continuar lendo

Quer Transporte Coletivo Barato?

por Lucas G. Freire

A mídia fala muito, analisa até demais, só que se esquece de um dos grandes problemas por trás da controvérsia sobre o chamado “passe livre”: o analfabetismo funcional.

Existem dois sintomas graves desta doença intelectual para destacar: a falta de adequação dos meios aos fins (de alguém que julga ter aprendido o que leu para colocar em prática) e a falsa implicação que se faz da ideia original (por alguém que julga ter lido, entendido e rejeitado).

Um exemplo do primeiro sintoma é o caso recente dos vândalos-manifestantes em Recife que queimaram um ônibus porque desejam que o transporte coletivo se torne mais barato. Isso indica das duas uma: ou só querem protestar por protestar e pouco estão se lixando para o transporte coletivo em si, ou então são de fato ignorantes da relação entre meio e fim implicada no processo.

Quer transporte gratuito? Eis aqui os meios: primeiro, não diminuir a oferta de transporte, por exemplo, na queima de ônibus (!) Segundo, pedir que o governo cobre ainda mais impostos dos outros e de si próprio. Terceiro, se quiser evitar o segundo: pedir que o governo imprima dinheiro, o que quer dizer transferir renda dos mais pobres para os banqueiros e “amigos” do governo nas obras públicas.

Os vândalos-manifestantes devem ter lido algum manual de economia sem entender. Devem ter lido algum manual sobre protestos populares sem compreender que parte do ponto é tentar beneficiar o público. Nos dois casos, eles mostram o primeiro grave sintoma do analfabetismo funcional: ler, tentar aplicar, mas sem saber adequar meios aos fins.

Isso leva ao segundo sintoma. Desde que começamos a chamar a atenção para a inadequação entre meios e fins na demanda dos protestos pelo transporte gratuito, muita gente leu, mas não entendeu o ponto. Achou alguma implicação insatisfatória e rejeitou os argumentos por não ter entendido direito.

Repare nos meios para se chegar ao transporte gratuito: imposto ou inflação. Se alguém pede mais imposto, ou deseja ser tributado ou não. No segundo caso, então está protestando e demandando uma triangulação da coerção: em vez de assaltar seu próximo, pede a um terceiro agente que chacoalhe o bolso do seu próximo para pagar pela sua carona grátis.

Ou talvez a pessoa não esteja protestando por mais impostos, e sim por transporte grátis pago por dinheiro impresso do nada pelo Banco Central. Neste caso, está a demandar inflação que, no final, é uma forma de transferir renda (mais uma vez) do bolso de alguns para o bolso e outros. Por voto de maioria.

Nossas publicações foram no sentido de alertar para esse perigo do ponto de vista da ética cristã. A bíblia diz: “não furtarás.” Ela legitima que o tributo seja dado a um agente autorizado e legitimado para promover a justiça pública. Ela não legitima o tributo para dar isso ou aquilo “grátis.” O voto da maioria (ou a coerção de manifestantes) não é exceção ao mandamento de não furtar.

Quer carona grátis? Não é possível. Sempre vai custar algo a alguém. Quer carona barata? Que tal protestar para o governo (principalmente da sua cidade) desregular o setor de transporte público? Que tal pedir para ele parar com a mordomia imoral que ele concede a um número pequeno de companhias que monopolizam o setor?

Os meios e falácias utilizados até agora para baratear o ônibus são inadequados. As críticas à nossa postura cristã quanto aos protestos também. Uma solução mais caridosa e racional é protestar para as autoridades pararem de ouvir o lobby do transporte coletivo que quer manter seus privilégios às custas do povo brasileiro. Isso vai aumentar a oferta competitiva e diminuir o preço do ônibus.

Greve e Ética Cristã

por Lucas G. Freire

Um dos graves problemas da nossa sociedade é a ausência de espaço para associações voluntárias. Isso torna o Brasil bastante “monocromático“. Por que precisamos de mais “cor”? Sabendo que não pode viver só, o ser humano tem formado grupos e associações desde os primórdios, criando ambientes para facilitar o intercâmbio daquilo que julga ser necessário a uma vida de qualidade . Contudo, devido a vários problemas ligados ao caráter estatista e paternalista do nosso desenvolvimento histórico, temos hoje pouca diversidade de associações, e uma sociedade organizada em “grandes blocos”.

Um exemplo claro é o efeito de diversas leis trabalhistas modernas nas nossas associações profissionais e de classe. O resultado hoje é o favorecimento, por essas regulações, aos grupos sindicais bem articulados na barganha coletiva e, em vários casos, bem sucedidos na monopolização de representação trabalhista. Essa concentração que favorece esses “grandes blocos” não reflete um mercado de trabalho livre e desregulado, e sim um ambiente pesadamente regulado, que “expulsa” ou “desencoraja” arranjos alternativos.

Continuar lendo

Privatizem a Copa! (De verdade)

por Lucas G. Freire

O filme australiano The Castle (O Castelo) retrata uma família humilde que vive feliz à beira da pista do aeroporto internacional. Um belo dia, a família é avisada: vai ter que se mudar, pois haverá obras de expansão da pista. O pai, trabalhador honesto, recorre à justiça. O burocrata municipal diz que a empreiteira tem uma “relação especial” com o governo. A casa da família sofreu “aquisição compulsória” e haverá compensação pela perda da propriedade. O pai diz: “mas nós não queremos nos mudar!” Sua casa é seu castelo.

Continuar lendo

Sim! O Chefão do Senado Federal tem Princípios. Mas…

_jan2797Existem aqueles que se preocupam só com o momento, com o que uma pessoa fez aqui e agora, e com os efeitos desse ato. Existem também os que se preocupam com os princípios informando o ato. Um ato, cá entre nós, nunca é uma ação isolada de qualquer contexto. E, para dizer a verdade, às vezes o ato nem precisa existir, mas se o princípio lá estiver, então já temos motivo de preocupação. Onde há fogo, haverá fumaça.

Denunciado pela Procuradoria-Geral da República, um certo Senador sobe novamente ao cargo de Chefão do Senado Federal. Esqueça quem ele é e esqueça que é acusado pela Procuradoria-Geral de pelo menos três crimes. Esqueça, em outras palavras, a fumaça. Concentre-se no fogo. Eis aqui a declaração deste incendiário, retirada do seu discurso de candidatura ao cargo:

A ética não é objetivo em si mesmo. O objetivo em si mesmo é o Brasil, o interesse nacional. A ética é meio, não é fim. É obrigação de todos nós, responsabilidade de todos nós e dever desse Senado Federal.

Isso já é motivo de sobra para me preocupar.

Primeiro, que é isso chamado Brasil? Será que ele se refere ao Brasil dos Senadores, ou ao Brasil do povo que, seja ingênuo ou mal-intencionado, os mantém no poder? É o Brasil de Brasília, ou o Brasil dos que votam para explorar o próximo? Ou será o Brasil dos oprimidos pela máquina do sistema corrupto?

Em segundo lugar, “Interesse nacional”? Que nação? A que se tem dividido cada vez mais por conta das políticas de redistribuição que o Senado e o Congresso impõem para manter o povo controlado? Oh! Quantas atrocidades já foram feitas na história em nome do “interesse nacional”!

E então, a pérola reluzente gerada por essa mente maquiavélica: “A ética é meio, não é fim”. Meio para que fim? Existem pelo menos dois “fins” conflitantes aqui, e é exatamente a ética que consegue resolver o problema de qual “fim” é o mais virtuoso.

De um lado, existe o interesse dos que querem simplesmente viver e deixar viver. Querem ficar em paz, na nossa sociedade, seja na comunidade local, seja com projeção nacional e internacional, trabalhando honestamente, comprando e vendendo para buscar o que desejam.

De outro lado, existe o interesse dos que desejam explorar desonestamente os frutos desse trabalho. Se não tem coragem de roubar, matar e defraudar, sua covardia é sempre instrumental na hora de delegar esse poder a outras pessoas de índole semelhante.

Uns delegam o poder de explorar o próximo ao Senado e ao Congresso Federal. Outros oferecem seus serviços para legitimar a espoliação da vida, propriedade e liberdade, ao se candidatarem para o cargo de Deputado, Senador e até mesmo Chefão do Senado Federal.

Não é necessariamente uma acusação da Procuradoria-Geral da República que me faz desconfiar deste ou daquele político. Eu vejo o que o sujeito se dispõe a fazer pelos seus eleitores – se deseja promover a justiça pública (como uma pequena minoria) ou se propõe o crime de perpetuar um sistema baseado no roubo, fraude, corrupção e violência.

Antes de supostamente cometer os crimes citados pela Procuradoria-Geral da República, o novo Chefão dos Senadores jogou o jogo dos populistas. Prometeu tirar de um certo grupo para dar aos seus eleitores. Prometeu cometer esse tipo de crime que fere a ética, embora talvez não fira necessariamente a nossa lei no papel.

Os eleitores aceitaram de bom grado o fogo da redistribuição, que tem consumido toda a nossa República. Aceitaram o sistema que promove o princípio, o fogo da ladroagem, e agora reclamam da fumaça.

O Chefão do Senado tem princípios. Ele afirma que sua ética serve o interesse da nação. Que nação? A nação que acha legítimo furtar. A nação dos seus eleitores, que continuam reelegendo gente como ele. Eu não faço parte desta nação. A minha nação está em luta contra a dele. A minha nação tem uma ética diferente da dele. “Não furtarás”.

Para assinar a petição contra o Senador referido acima, veja este abaixo-assinado.

Fraude e a Crise Econômica

Veja o excelente documentário Fraude sobre as causas da atual “crise econômica” global. Foi produzido pelo Instituto Juan de Mariana (Espanha) e traduzido e distribuído no Brasil pelo Instituto Ludwig von Mises Brasil.

Enquanto muitos culpam a “ganância” pela crise, é importante notar que a ganância está sempre presente, pois a natureza humana não muda. A questão é que, em certas estruturas, isso serve de incentivo à fraude e roubo.

O sistema financeiro atual, baseado no socialismo monetário, que denunciamos em outra ocasião, promove a fraude e o roubo em grande escala, principalmente quando privatiza os lucros mas socializa as pertas, como é o caso dos resgates bancários.