Imperialismo não é Problema só dos Outros

por Lucas G. Freire

Alguns pensam que imperialismo é algo que se aplica somente à política externa dos Estados Unidos, e que não nos diz respeito. Longe disso! A denúncia de uma política externa imperialista como se fosse uma religião pagã é relevante para nós, dentro e fora do Brasil, por diversos motivos.

Primeiro, existe uma divisão falsa entre “esquerda” e “direita” na política brasileira que acaba correspondendo, respectivamente, a uma divisão entre “antiamericanismo” e “americanismo”.

Os americanistas defendem tudo quanto é atrocidade imperial vindo daquele lado do mundo, ao passo que os antiamericanos rejeitam não só as atrocidades, como também outros elementos.

A denúncia do imperialismo pagão é um alerta para que nosso ponto de vista não seja informado por uma dicotomia engessada como “esquerda” e “direita” (seja lá o sentido disso na política brasileira), e sim pela rejeição cristã a qualquer ídolo político.

Em segundo lugar, existe um apoio doentio ao imperialismo por parte de diversos segmentos “cristãos”, sejam eles reformados, protestantes, católico-romanos, evangélicos, desigrejados, e assim por diante.

Esses grupos creem que, por diversos motivos teológicos ou pragmáticos, os soldados imperiais estão fazendo a obra de Deus na terra, espalhando democracia e direitos humanos. “Protegendo Israel”. Fazem vista grossa à tortura, morte de mulheres e crianças, e todo o horror da guerra em troca de um retorno duvidoso.

É preciso denunciar esses grupos. Onde houver abuso de poder, injustiça e idolatria política, deve haver protesto por parte dos remanescentes cristãos que ainda não se curvaram ao poder estatista. Inclusive em (des)venturas imperialistas.

Por fim, o Brasil não é cordeiro puro e sem mácula, inocente da prática de uma política externa que procuraria, se possível, tornar nosso governo onipotente, onisciente e onipresente. O gigantismo estatista que nosso país tem buscado em sua rápida ascensão na política mundial é de assustar.

Sob bandeira das “Nações Unidas”, o Brasil tem já por anos mantido presença ativa no Haiti. Percebida por países e habitantes da região como uma intrusão imperialista, a missão da ONU ali já levou à morte de vários de nossos militares (em decorrência dos terremotos haitianos de 2010), e do general que a comandava (por morte trágica).

Tanto o Exército Brasileiro individualmente como a MINUSTAH, a missão de estabilização da ONU, tem sido denunciados frequentemente em protestos, em órgãos internacionais, e por organizações de proteção aos direitos humanos.

Além de escândalos envolvendo execuções sumárias de criminosos e de efeitos colaterais das operações atingindo civis, uma crítica mais geral à estratégia de semi-colonização é feita por pesquisadores e jornalistas.

O Conselho de Segurança da ONU acaba de ampliar o prazo da missão, e não é a primeira vez que isso acontece. O Brasil está de fato ganhando lugar de destaque na política mundial, porém é hora de nós cristãos começarmos a pensar se tanto os fins como os meios são justificados. “Aquele que está de pé cuide-se para que não caia”.

 

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O trabalho “Imperialismo não é Problema só dos Outros” de Lucas G. Freire foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Com base no trabalho disponível em http://politica.reformada.org.

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