Discutindo Defesa e Segurança na Universidade Livre de Amsterdã

por Lucas G. Freire

Discutindo segurança e defesa dum ponto de vista reformado.

Discutindo segurança e defesa dum ponto de vista reformado.

No fim de Janeiro de 2014 fiz parte do II Seminário Kuyper, desta vez, sobre cristianismo e política internacional, organizado pela Universidade Livre de Amsterdã.

O legado de Abraham Kuyper e Herman Dooyeweerd na teoria e na filosofia política foi criticamente avaliado com discussões históricas e conceituais. Também a influência da filosofia neo-tomista e de políticos católico-romanos foi destacada, principalmente em termos da política na União Europeia.

Eu apresentei uma crítica a uma das principais teorias atuais de estudos de segurança (a teoria da securitização por setores), mostrando o potencial da filosofia reformada de Herman Dooyeweerd em lidar com algumas das falhas dessa abordagem.

Também falaram na conferência o Jonathan Chaplin, James W. Skillen, Scott Thomas, George Harinck, Romel Bagares e outros pesquisadores na tradição reformada. O jornal Reformatorisch Dagblad cobriu o evento numa matéria extensa.

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Esteve presente o ex-Ministro da Defesa holandês Eimert van Middelkoop, que discursou sobre seu papel na condução da intervenção holandesa no Afeganistão.

Como cristão, ele se deparou com a necessidade de equilibrar a ética pessoal do “não matarás” e de “dar a outra face”, confirmada por Jesus, com a autorização de punir a agressão como ministro de Deus para a justiça pública, conforme Paulo descreve na carta aos Romanos.

Eu lhe perguntei sua opinião sobre disciplina eclesiástica para alguém que peque como figura pública. Ele respondeu que o erro político é punido politicamente nas eleições e pelo Parlamento, dispensando um membro do Gabinete. Já a quebra de um dos Dez Mandamentos é punida eclesiasticamente.

A igreja tem o dever de orar pelos governantes e Middelkoop é grato à sua igreja local (uma congregação das Igrejas Reformadas Liberadas), que orou por ele e com ele durante sua gestão. Sua resposta seguiu o princípio da “soberania das esferas”.

ex-Ministro da Defesa discute o papel da Holanda na agenda de segurança internacional

ex-Ministro da Defesa discute o papel da Holanda na agenda de segurança internacional

Middelkoop é um dos formuladores da “abordagem holandesa”. Trata-se, numa operação de intervenção internacional, de dialogar com as pessoas do local antes de implementar qualquer medida. O ex-Ministro da Defesa sente satisfação por sua “abordagem holandesa” à intervenção internacional ser hoje bastante elogiada, e recomendada por autoridades no assunto.

Guerra à Síria?

por Lucas G. Freire

Em Junho de 2012, ainda no início de toda a agitação popular na Síria, uma análise da situação foi publicada aqui. Baseada na ética cristã e na tradição reformada de governo limitado, a análise defendia alguns pontos bons de relembrar.

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Imperialismo não é Problema só dos Outros

por Lucas G. Freire

Alguns pensam que imperialismo é algo que se aplica somente à política externa dos Estados Unidos, e que não nos diz respeito. Longe disso! A denúncia de uma política externa imperialista como se fosse uma religião pagã é relevante para nós, dentro e fora do Brasil, por diversos motivos.

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A Teologia Política do Imperialismo

por Lucas G. Freire

Podemos definir provisoriamente o imperialismo como o uso, pelo estado, do seu poder de coerção e força a fim de se expandir e de controlar outros territórios. Uma definição mais aprofundada, que considere o caráter espiritual desse fenômeno político, vai à raiz do problema: a idolatria e a cobiça pelo poder. Para nós, cristãos, qual é a relevância disso? Um exame profundo do que o imperialismo representa nos leva a refletir sobre sua teologia política.

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A Situação na Síria

por Lucas G. Freire

A comunidade internacional tem voltado sua atenção para a situação delicada na Síria. A Síria é um país do Oriente Médio. Faz fronteira com Israel, Jordânia, Líbano, Turquia e Iraque. Por muito tempo o regime autoritário que governa a Síria tem sido alvo de críticas. Desde o ano passado, mais críticas tem ocorrido dentro e fora do país. Isso foi quando movimentos de oposição ao governo sírio começaram seus protestos. Outros governos na região e no norte da África também tiveram problemas parecidos. No caso da Síria, os protestos começaram com uma demanda. Grupos de oposição ao governo queriam mais abertura política. Eles pediram que o presidente sírio soltasse alguns presos políticos. Em vez disso, houve grande violência. Apesar da pressão internacional, o governo da Síria continua tratando a oposição com métodos questionáveis. Há relatos de várias mortes, incluindo civis indefesos. Porém, muitos membros da oposição que protesta também tem empregado a violência. Eles iniciaram uma verdadeira rebelião revolucionária. O noticiário tem informado que a Síria está praticamente em guerra civil. A Síria não tem boas relações com os Estados Unidos e seus aliados. O governo americano tem pressionado o país. A imprensa alemã descobriu semanas atrás que alguns dos que se revoltaram contra o governo causaram grande derramamento de sangue. Resumindo: tanto o governo como os rebeldes tem usado de violência e matança.

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