Como [não] tentar justificar o socialismo

cuba-742252_1920Quase não há resposta à pergunta sobre quais são os argumentos a favor do socialismo, porque a maior parte dos argumentos dos socialistas não é em favor do socialismo, mas contra o capitalismo. Mais do que falhas econômicas, atribuem ao capitalismo supostos defeitos morais. Só que, nos últimos cem anos, os socialistas tiveram de ir mudando seus argumentos contra o capitalismo à medida que tais argumentos iam caindo. Vejamos:

1. Exploração

No século 19, Marx e Engels acusaram as empresas capitalistas de explorar seus trabalhadores mediante a suposta “mais-valia” que lhes era “extraída” (como uma chupada de sangue do Drácula). Porém, acontece que na Europa e Estados Unidos, os empregados e operários da Standard Oil, Shell, Ford, General Motors, General Eletric, e muitas outras empresas, não se tornaram cada vez mais pobres, como antecipava a profecia de Marx, pelo contrário, saíram da pobreza, e muitos prosperaram, dentro de poucos anos. Esse argumento contra o capitalismo caiu.

2. Crise

Foi a manipulação do dinheiro por parte do banco central americano que causou a Grande Crise de 1929; porém, como sempre, os socialistas jogaram a culpa no capitalismo. Contudo, após a Segunda Guerra Mundial, os países derrotados abandonaram a economia planificada e fizeram reformas liberais. E assim escaparam da crise, desemprego e pobreza. Esse argumento também caiu.

3. Imperialismo e dependência

Os professores da Sorbonne e os experts da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), seguindo Lenin, acusaram o capitalismo de explorar mediante “imperialismo” os países do Terceiro Mundo. Porém aqueles países mais “dependentes” do comércio internacional, e mais abertos à economia global, como Hong Kong, Singapura, Taiwan e Coreia do Sul, saíram da pobreza massiva, e se tornaram ricos, em poucos anos. Outro argumento que cai.

4. Juventude oprimida

Em maio de 1968 em Paris, e em Berkeley, na Califórnia, Herbert Marcuse e os marxistas culturais acusaram o capitalismo de “oprimir os jovens”, aos quais convidaram a que se rebelassem. Porém, depois, uma turminha de garotos imberbes como Bill Gates e Steve Jobs, no Vale do Silício, da própria Califórnia, e agora Mark Zuckerberg com o Facebook, ficaram multimilionários antes dos 40, sem pedir nada ao governo. E na década de 1990 umas reformas “neoliberais” muito tímidas e parciais, ainda muito longe de serem realmente capitalistas, abriram certas oportunidades em alguns mercados de ações e dividendos, e os jovens “yuppies” foram os que mais tiraram delas proveito para ganhar independência. Esse argumento caiu.

5. Machismo

A esquerda lançou-se com o feminismo, acusando o capitalismo de “oprimir a mulher”. Porém na China, Índia e América Latina, pequenas janelas de um capitalismo muito incompleto se abrem às pessoas na economia informal, e quem mais aproveita tais oportunidades para ascender são as mulheres. Diferentemente das pobres mulheres presas em sua dependência crônica do insustentável estado de bem-estar social, que agora implode, e cujos escombros caem sobre a Europa e Estados Unidos.

6. Racismo

Para piorar as coisas, a enorme maioria dessas mulheres da economia informal na América Latina são indígenas de pele avermelhada, bem como seus pais, maridos, irmãos e filhos dessa mesma cor, de modo que os socialistas não conseguem bom uso do argumento indigenista e racista contra o capitalismo.

7. Prejuízo ecológico

O capitalismo é acusado de “destruir o meio-ambiente”. Porém em alguns lugares da África (agora poucos) estão provando que a propriedade privada é superior ao Estado no cuidado e preservação do meio ambiente e das espécies, pela simples razão de que cada um cuida melhor do que é seu, e “o que é de todos não é de ninguém”. Os vermelhos se vestem de verde e investem contra os transgênicos e nos assustam com notícias de que as indústrias multinacionais de alimento estão nos envenenando. Porém, em seguida aparece a confissão de Mark Lynas, um ex-“verde” arrependido, que diz: “Perdão, estávamos mentindo”.

Mas eles vão seguir. Os socialistas estão no poder, e são muito criativos em inventar defeitos para o capitalismo.

Alberto Mansueti é advogado e cientista político.

Tradução: Márcio Santana Sobrinho.

Você é comunista e não sabia?

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Marx e Engels. Foto: Hennie Schaper/Flickr

Façamos um pequeno “teste político” com dez “políticas públicas” ou ações do governo, das quais sempre se fala em todos os países. Você tem de marcar se está de acordo ou não com cada uma destas dez ideias ou medidas. Você pode responder e depois perguntar a seus familiares e amigos.  Continuar lendo

Socialismo de hoje, de ontem, e de anteontem

Basic CMYKAté o século 19, o socialismo era a utopia de pequenos grupos de “sonhadores” dentro das igrejas cristãs, muito minoritários, marginais e um tanto excêntricos na corrente principal do cristianismo, que até então sempre havia defendido o modelo bíblico e realista de governo limitado. Ser “socialista” era como ser um cristão meio pirado, ainda que simpático e de “bom coração”.

Porém, no século 19, a utopia socialista foi ganhando a adesão de líderes e da massa, dentro e fora do cristianismo. Começou a ser publicado na Inglaterra o periódico Christian Socialist (“Socialista cristão”), impulsionado por líderes anglicanos encantados com a pregação anterior do ex-sacerdote católico francês Robert Lamennais (1772-1854), precursor do “catolicismo social”, do também francês Charles Fourier (1772-1837), e do inglês Robert Owen (1771-1858), promotores de cooperativas (falanstérios) como alternativa ao capitalismo e à “luta de classes”. Apoiado pelo evolucionismo darwinista, que foi aceito por muitos cristãos, o socialismo se tornou respeitável, até mesmo “culto” em certos ambientes. Continuar lendo

Os primeiros cristãos eram socialistas?

São três as passagens mais citadas por gente de esquerda sobre este ponto. Porém, cada uma delas tem sua explicação:

1 – Jesus expulsou a chicotadas os mercadores do Templo.

golan-heights-176914_1920Sim, mas é preciso ler corretamente os evangelhos: Mateus 21, Marcos 11, Lucas 19 e João 2. Não eram simples “mercadores”; eles comercializavam a religião. A cada festa da Páscoa, vendiam as pombas e animais para os sacrifícios no Templo. E os cambistas trocavam o dinheiro grego e romano dos peregrinos por moedas judaicas, as únicas autorizadas para as oferendas. O templo, “Casa de Oração”, e não de negócios, se encontrava tomado por todo esse ruído e desordem.

Jesus nada tinha contra o trabalho e o comércio: ele e sua família eram carpinteiros; boa parte de seus discípulos era de pescadores; e suas maiores lições sobre o Reino de Deus são as “parábolas agrícolas”, com vinhas e propriedades, senhores e trabalhadores: nada tinham contra o capitalismo nem a favor do socialismo. O comércio com o sagrado é algo distinto; por isso aquele ato foi o equivalente a hoje expulsar a chicotadas esses pastores que enriquecem com dízimos e ofertas, “promessas” e “pactos”. Continuar lendo

Orando pela nação?

Meu amigo cristão, a sua igreja faz orações “pela nação”, supostamente “para que Deus ilumine as nossas autoridades”? Deus não responde tais orações.

E isso não é opinião minha; é um fato. Faz muito tempo, décadas que oram assim nas igrejas cristãs da América Latina. E as coisas não melhoram. Não há prosperidade nem desenvolvimento; e a cada governo, a situação do povo costuma ser igual ou pior que a do governo anterior.

Essa falta de resposta de Deus carece de explicação. Sobretudo porque nós cristãos estamos dando um mau testemunho. Aquele que não é cristão tem todo o direito de perguntar: “Que aconteceu com esse seu Deus? Por que não responde? É surdo? Acaso está dormindo?”.

A explicação existe, e está na Bíblia: o problema é o sistema. A Escritura Sagrada, nos extensos e detalhados capítulos de seus cinco primeiros livros (Pentateuco ou a Lei) prescreve às nações um sistema legal e político muito específico, o governo de juízes, que hoje se pode chamar de “sistema de governo limitado”. Limitado em funções: exército e polícia, justiça, e algumas poucas obras públicas de infraestrutura. Portanto, limitado também em poderes e em dinheiro. Continuar lendo

José do Egito, Socialista

por Lucas G. Freire

Muita gente conhece a história bíblica de José, um dos filhos de Jacó que foi, por causa da inveja dos irmãos, vendido como estravo ao Egito. Pouca gente olha para o lado político da história. José foi abençoado por Deus e acabou ajudando Faraó a combater uma crise econômica, guardando cereal durante a época de prosperidade para usar na época de “vacas magras”. José, aliás, foi nomeado governador da terra – uma espécie de “planejador central” da economia. Com isso, ele expandiu imensamente o poder de Faraó às custas do povo egípcio e dos estrangeiros que vinham em busca de alimento durante a crise. De escravo, José passou a ser o escravizador do Egito.

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