O Estado não tem Autoridade Paterna

por Lucas G. Freire

Uma das grandes evoluções na história do direito foi a diferenciação dos tipos de autoridade e a ‘especialização’, por assim dizer, de cada tipo em uma esfera diferente. Embora essa diferenciação tenha raramente saído do papel, foi de fato uma grande conquista histórica no pensamento ocidental. Na medida em que demonstra uma aproximação ao princípio bíblico da autoridade limitada, essa diferenciação deve ser bem vista pelo cristão reformado.

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Cai a Máscara da Política Educacional do Governo

por Kenneth Wieske

Uma reportagem do Fantástico indica que cerca de mil famílias brasileiras educam os filhos em casa. Algumas têm sido legalmente perseguidas, sob alegação de estarem violando o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Imagine a seguinte manchete: “Pais brasileiros lutam pelo direito de alimentar seus filhos em casa”. Imagine o artigo no jornal, explicando que tem alguns (poucos) pais que estão alimentando seus próprios filhos, longe dos refeitórios coletivos ordenados pelo governo. Imagine a reação chocada da maioria da população, que não entende como é possível que pais estejam abandonando o alimento saudável pelo cardápio feito pelos nutricionistas do governo, para alimentar os filhos nas casas onde nem tem inspeção da cozinha pela ANVISA!

Não seria absurda uma situação dessas? Bom, não é menos absurda a situação mostrada na reportagem do Fantástico que nos fala de pais que precisam lutar pelo direito de educar seus filhos. Desde quando se tornou necessário lutar por algo que já nos pertence? É necessário lutar pelo direito de respirar? De pensar?

Note bem o comentário da pedagoga Maria Stela Graciani, citada na reportagem. Ela não consegue criticar a educação domiciliar por algum defeito pedagógico ou acadêmico: é comprovado que o desempenho escolar de crianças educadas em casa supera em muito a média das crianças educadas em escolas. Um estudo recente de quase 12.000 alunos revelou que as crianças educadas em casa saírem em média com 30 pontos percentuais a mais do que os alunos educados nas escolas. Como a professora não consegue comprovar que educação no lar é abandono intelectual, veja que sua maior crítica se resume a isto: as crianças que não são obrigadas a participar de uma escola perdem “a essência da convivência comunitária”, diz a pedagoga.

Desde quando o propósito da escola é proporcionar ou ensinar a “essência da convivência comunitária”? Não tem igrejas? Não tem a família? Não tem os vizinhos no bairro? Não tem os colegas das aulas de ballet, de música, e outras atividades artísticas ou esportivas?

As palavras da pedagoga são muito alarmantes. O governo deseja ter os nossos filhos no seu sistema educacional em primeiro lugar não para os educar, mas antes para os socializar. E o tipo de sociedade que o governo quer inculcar na cabeça dos nossos filhinhos muitas vezes é bem diferente do tipo de sociedade que nós queremos para eles.

Aula virtual: Táticas e Estratégias na Política Cristã

O evento:

Aula aberta oferecida pelo Instituto João Calvino, o centro de educação teológica das Igrejas Reformadas do Brasil, baseado em Recife (PE), em forma de um seminário virtual.

Professor: Lucas G. Freire (Doutorando em Política, Exeter).

Duração: 1h30 com perguntas e respostas, inclui material digital.

O tema será: “Táticas e Estratégias de Engajamento Político Cristão”. É preciso solicitar a participação em cursos@institutojoaocalvino.org.

Data: 19 de Outubro de 2012, 20h-21h30.

Um resumo:

A aula discutirá uma estratégia geral para o engajamento político cristão seguindo a tradição reformada. O argumento é normativo, e convida os participantes a pensarem melhor em como poderão contribuir para a construção de diversos esforços e táticas de sociedade civil pautadas na confissão, na história e na aplicação da fé reformada.

Um tema central a ser discutido é o papel das ideias na construção e coordenação de esforços rumo a um movimento político. Táticas de divulgação de ideias, bem como sugestões de cooperação em vários níveis com outros movimentos serão exploradas. Em especial, será discutida a interação com os evangélicos, outros cristãos, e movimentos que buscam o ideal de justiça pública via governo limitado.

Arte, Educação, Governo e cada Coisa no seu Lugar

por Lucas G. Freire

Dois assuntos polêmicos tem marcado o noticiário atual: arte e educação. Circula pela esfera digital um protesto contra o comediante Renato Aragão, vulgo Didi Mocó. Segundo alegações, Didi estaria planejando uma espécie de filme blasfemo de comédia. O protesto é contra o caráter ofensivo do suposto filme. Muitos cristãos se mobilizaram para denunciar o comediante sem nem procurar saber se o boato é mais que um boato. Didi já negou que planeja esse filme.

Outro caso que tem circulado no mundo virtual é o de uma menina no sul do país, que começou seu diário de denúncias à escola pública onde estuda. A página que ela começou tem fotos de paredes rabiscadas, telefones públicos estragados e outros problemas com a escola. A menina foi ameaçada de ser processada pelo sistema de educação pública. Por outro lado, a diretoria da escola já decidiu responder a algumas das críticas fazendo melhorias no prédio.

Essas duas coisas estão relacionadas. Os cristãos em protesto contra Didi pedem para que ele seja censurado. Em uma versão menos intensa do protesto, eles pedem que não haja qualquer verba para o alegado projeto. No caso da menina e das escolas públicas, a grande maioria das pessoas pressupõe que a solução é “investir” mais em educação. Quando elas dizem “investir”, na verdade querem dizer empregar o dinheiro que você e eu pagamos para a suposta educação que essas crianças precisam. A relação entre essas duas coisas (educação e arte) é que as pessoas acreditam que o governo tem um papel muito ativo a cumprir.

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Esporte e Escola

por Lucas G. Freire

No final de uma olimpíada ou copa do mundo, existe sempre uma ladainha nos jornais: o Brasil não conquistou muitas medalhas. Não foi bem como deveria ter ido. O país tem grande potencial esportivo, mas falta investimentos do governo nos nossos atletas.

O mesmo discurso foi mais uma vez divulgado nestas olimpíadas. O Brasil poderia ter ido melhor se tivessem jogado mais dinheiro no setor esportivo. Se os empresários não fazem isso, então o governo deveria fazer.

Essa não é a única demanda por dinheiro público hoje. Enquanto professores e funcionários das universidades federais estão de greve, muitos tem discutido uma melhor forma de se investir na educação.

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O Genuíno Cristão é um Pensador Politizado (Parte 1)

Nota do Editor Geral: este texto é a primeira parte de um ensaio sobre o chamado do cristão a ser um pensador politizado. Esta parte introduz o tópico e desenvolve o ponto intelectual. A segunda parte desenvolve o tema político.

por Jackson Salustiano

O genuíno cristão por natureza é vocacionado a ser um completo acadêmico politizado. Esta descrição possui duas partes. Por um lado, o cristão é um acadêmico ou pensador no sentido clássico de ‘amigo do conhecimento’, como os filósofos da antiga escola de Platão. Por outro lado, o cristão é também politizado, isto é, possui a capacidade de compreender a importância do pensamento e da ação política; de dar ou de adquirir consciência dos deveres e direitos como cidadão.

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