Greve e Ética Cristã

por Lucas G. Freire

Um dos graves problemas da nossa sociedade é a ausência de espaço para associações voluntárias. Isso torna o Brasil bastante “monocromático“. Por que precisamos de mais “cor”? Sabendo que não pode viver só, o ser humano tem formado grupos e associações desde os primórdios, criando ambientes para facilitar o intercâmbio daquilo que julga ser necessário a uma vida de qualidade . Contudo, devido a vários problemas ligados ao caráter estatista e paternalista do nosso desenvolvimento histórico, temos hoje pouca diversidade de associações, e uma sociedade organizada em “grandes blocos”.

Um exemplo claro é o efeito de diversas leis trabalhistas modernas nas nossas associações profissionais e de classe. O resultado hoje é o favorecimento, por essas regulações, aos grupos sindicais bem articulados na barganha coletiva e, em vários casos, bem sucedidos na monopolização de representação trabalhista. Essa concentração que favorece esses “grandes blocos” não reflete um mercado de trabalho livre e desregulado, e sim um ambiente pesadamente regulado, que “expulsa” ou “desencoraja” arranjos alternativos.

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Movimento País Livre (Parte 1)

por Lucas G. Freire

O país todo, não só o Rio e São Paulo, está em convulsão. O chamado “Movimento Passe Livre” protesta contra o aumento da passagem do transporte coletivo. Alguns excessos cometidos por manifestantes incluem o dano à propriedade privada de pessoas que nada têm a ver com o problema. Em reação, a polícia tem usado de repressão violenta e excessiva, colocando em perigo a população que alega proteger. Há também os que ignoram a relevância desses eventos: “tudo isso só por causa de vinte centavos de diferença no preço?” Mas existem motivos de sobra para não desprezar esses eventos. Aonde isso leva? Espero que leve não ao dito “passe livre” e sim a um “país livre”. Pode ser a fagulha de um novo estágio na política brasileira. Tomara que não acabe em pizza.

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Privatizem a Copa! (De verdade)

por Lucas G. Freire

O filme australiano The Castle (O Castelo) retrata uma família humilde que vive feliz à beira da pista do aeroporto internacional. Um belo dia, a família é avisada: vai ter que se mudar, pois haverá obras de expansão da pista. O pai, trabalhador honesto, recorre à justiça. O burocrata municipal diz que a empreiteira tem uma “relação especial” com o governo. A casa da família sofreu “aquisição compulsória” e haverá compensação pela perda da propriedade. O pai diz: “mas nós não queremos nos mudar!” Sua casa é seu castelo.

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Política e o Catecismo de Heidelberg (Parte 3)

Esta é a parte final de um estudo sobre certos assuntos claramente relevantes à política tratados no Catecismo de Heidelberg das igrejas reformadas. No ano de 2013 o Catecismo completa 450 anos.

por Lucas G. Freire

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José do Egito, Socialista

por Lucas G. Freire

Muita gente conhece a história bíblica de José, um dos filhos de Jacó que foi, por causa da inveja dos irmãos, vendido como estravo ao Egito. Pouca gente olha para o lado político da história. José foi abençoado por Deus e acabou ajudando Faraó a combater uma crise econômica, guardando cereal durante a época de prosperidade para usar na época de “vacas magras”. José, aliás, foi nomeado governador da terra – uma espécie de “planejador central” da economia. Com isso, ele expandiu imensamente o poder de Faraó às custas do povo egípcio e dos estrangeiros que vinham em busca de alimento durante a crise. De escravo, José passou a ser o escravizador do Egito.

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“Deus seja louvado”

por Lucas G. Freire

Nosso governo é laico (dizem os magistrados) e, por isso, a expressão “Deus seja louvado” deve ser retirada das nossas cédulas de dinheiro. Não importa que nossa Constituição diga que foi elaborada “sob a proteção de Deus”. Logicamente, não é surpresa que religiosos de várias crenças estranhem esse pedido feito ao Governo Federal por magistrados no estado de São Paulo.

De um lado, os religiosos tem feito um grande barulho em reação e, de outro, juízes e políticos firmam uma posição ainda mais absoluta contra qualquer tema religioso na vida pública brasileira. Em vez de justiça no nosso ambiente político, os religiosos querem afirmar o simbolismo dos seus valores e os magistrados desejam a secularização da nossa sociedade.

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Governo, Economia e Furacões

por Lucas G. Freire

Diretamente dos Estados Unidos.

Quando o telefone tocou, eu fiquei apreensivo. Era bem tarde, e o voo Londres-Washington DC estava marcado para o dia seguinte. De Exeter a Heathrow, o principal aeroporto londrino, eu esperava umas cinco horas de viagem. E agora o telefone tocava. Um furacão em Washington, Nova Iorque e em outros lugares. O voo estava cancelado.

Um desastre natural desse calibre sempre nos lembra que não estamos no controle. Apenas reagimos, com heroísmo ou covardia, trabalho ou preguiça, ânimo ou indiferença. E, às vezes, com estupidez. Independente da nossa reação, uma coisa é certa: não estamos no controle.

Decidi tomar o ônibus e ficar no aeroporto assim mesmo. Depois de quatro dias, finalmente consegui voar e cá estou, nos Estados Unidos da América. O povo se livra, aos poucos, dos efeitos do Furacão Sandy. O povo medita sobre o que aconteceu. O povo se prepara para observar que novo rumo a nação tomará nesta semana de eleições.

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Fraude e a Crise Econômica

Veja o excelente documentário Fraude sobre as causas da atual “crise econômica” global. Foi produzido pelo Instituto Juan de Mariana (Espanha) e traduzido e distribuído no Brasil pelo Instituto Ludwig von Mises Brasil.

Enquanto muitos culpam a “ganância” pela crise, é importante notar que a ganância está sempre presente, pois a natureza humana não muda. A questão é que, em certas estruturas, isso serve de incentivo à fraude e roubo.

O sistema financeiro atual, baseado no socialismo monetário, que denunciamos em outra ocasião, promove a fraude e o roubo em grande escala, principalmente quando privatiza os lucros mas socializa as pertas, como é o caso dos resgates bancários.

Subsidiariedade, Livre-mercado e Doutrina Social da Igreja

O Economista e professor Ubiratan Iorio, neste artigo para o CIEEP, discute os princípios normativos por trás da subsidiariedade e o mecanismo que determina os benefícios dessa prática.

O artigo discorre sobre as vantagens econômicas e políticas de um ponto de vista compatível com a chamada “Escola Austríaca” de economia, mas também liga a discussão à Doutrina Social desenvolvida historicamente pela igreja romana.

Como estudioso da Escola Austríaca, tenho a firme convicção de que os problemas econômicos devem ser solucionados pelo processo de mercado, ou seja, pela interação entre compradores e vendedores, cada um agindo de acordo com suas preferências e expectativas e sem qualquer controle por parte de um mecanismo centralizador e, por definição, opressor.

Iorio rejeita a concepção “monocromática” da sociedade em que de um lado temos somente indivíduos e grupos e, do outro, somente o Estado. Defende a existência (ou melhor, a necessidade) de “camadas intermediárias”:

É fácil perceber que tais corpos intermediários que oscilam entre o indivíduo e o todo podem ser associados ao nosso princípio da “subsidiariedade”, bem como com os outros três princípios que caracterizam as sociedades livres e virtuosas, o da “dignidade da pessoa humana” (que fica obscurecida quando se enfatiza o ente holístico “sociedade”, que é algo fictício, que não pensa, não dorme, não acorda, não reza, não come e nem grita gol de seu time), o da “solidariedade” (por exemplo, quando cada um de nós pensa em ajudar a própria família ou quando as famílias pensam em melhorar o bairro em que vivem) e o do bem comum (que, no caso de um indivíduo, nada mais é do que esse próprio indivíduo, mas que no outro caso extremo — o da “sociedade” — também fica impossível de ser materializado para além dos discursos de políticos e/ou de “teólogos” de uma pretensa “libertação”).

Recomendamos a leitura, principalmente tendo em vista o diálogo entre o princípio reformado de “soberania de esferas” e o princípio da “limitação em níveis” em cada relação de autoridade. Esses princípios já foram discutidos aqui, como por exemplo, nos ensaios “Contra o Sequestro do Esporte Moderno” e “Táxis, Cooperativas e Política Cristã“. Do ponto de vista jurídico, Jackson Salustiano comentou a legislação recente a respeito das cooperativas, bem como vantagens potenciais desse sistema no contexto das “camadas intermediárias” discutidas.

Inflação e Fraude

por Lucas G. Freire

Funcionários do Banco Central do Brasil estão em greve. Pedem um reajuste de salário em torno de 23%.

Uma das causas desse pedido é que, desde o último reajuste, a vida se tornou mais cara. A comida subiu de preço. As roupas aumentaram de valor. A gasolina está um absurdo.

Quando os preços mais importantes de uma economia aumentam sem parar, temos um sintoma da inflação. Inflação em si não é o mero aumento de preços. Inflação tem a ver com o mecanismo que causa esse aumento geral.

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