Leituras: Holandeses no Brasil Colonial

O Pr. Kennedy, o Pr. Julius VanSpronsen e eu tivemos a oportunidade de encontrar o Sr. Albert van der Heide perto de Vancouver. Albert expressou seu encorajamento ao projeto, lembrando principalmente o curso sobre política, liberdade e antirrevolucionismo que foi dado no Instituto João Calvino em Recife (1o. semestre de 2013).

Albert trabalha na divulgação cultural e histórica da influência dos holandeses e da igreja reformada na história do ocidente. Foi editor do jornal “Windmill Herald” e foi condecorado oficialmente por seu serviço à comunidade. Atualmente, ele mantém seu trabalho na venda de livros raros a respeito dessa temática.

Albert recomendou duas leituras em especial para quem deseja entender melhor o contexto político e cultural da colonização holandesa no Brasil do século XVII.

O primeiro livro é o minucioso estudo do Dr. F. L. Schalkwijk, intitulado The Reformed Church in Dutch Brazil, 1630-1654, publicado em inglês pela Boekencentrum, baseada na Holanda. Embora não seja exatamente a edição portuguesa publicada pela Editora Vida Nova, trata-se de uma versão muito parecida, com uma divisão diferente dos capítulos e do argumento.

O Dr. Schalkwijk se utiliza rigorosamente de fontes primárias obtidas em diversos arquivos no Brasil e na Europa, e procura entender a influência da igreja reformada para além da área religiosa, tendo ela transformado o contexto cultural e político das colônias. O autor procura julgar de forma equilibrada os pontos positivos e negativos dessa influência. Um aspecto interessante é a questão da tolerância religiosa, que se desenvolveu duma forma mais complexa e moderada que em outros lugares afetados pelos embates entre o catolicismo romano e o protestantismo.

Uma outra leitura recomendada e relacionada ao assunto é Visions of Savage Paradise. Trata-se de uma análise da obra do pintor Albert Eckhout, ilustrador oficial na corte de João Maurício de Nassau. O famoso artista apresentou um realismo impressionante nas suas pinturas e ilustrações.

Este estudo discute a obra de Eckhout no seu contexto artístico e cultural, em diálogo e contraste com outros artistas da época. O texto também analisa o contexto de colonização e o papel desempenhado por este pintor oficial. É interessante pensar em como a promoção dessa forma de arte foi tratada em parte como uma questão de política pública.

Interessados podem encontrar as duas raridades no site Go Dutch, administrado pelo Sr. van der Heide. O site conta também com um rico catálogo de livros a respeito da influência da fé reformada e da colonização holandesa sobre diversas partes do mundo.

Perguntamos-lhe sobre quais livros ele gostaria de ver traduzidos em português. Ele respondeu que, dentre todos os livros possíveis, seria melhor traduzir “o básico, o que for ajudar a igreja e o povo no Brasil.”

Protestos no Brasil: Chegou a Hora de uma Política Reformada?

Traduzido e adaptado pelo próprio autor. O artigo “Protests in Brazil: Time for Reformed Politics?” foi publicado originalmente pela revista Christian Renewal 31, no.16-17 (Julho/Agosto 2013): 8

Continuar lendo

Terrorismo e Liberdade (Evento do EPL)

Tive a oportunidade de falar sobre o tema “Terrorismo e Liberdade” na web-aula organizada pelo Estudantes Pela Liberdade (EPL). O conteúdo da aula foi disponibilizado online.

Agradecimentos ao brilhante profissionalismo da equipe voluntária do EPL e parabéns pelo belo trabalho que têm realizado no Brasil afora!

Lucas.

“Do trabalho de tuas mãos comerás”

por Kenneth Wieske

100 mil manifestantes nas ruas do Rio e a Câmara Estadual tomada pelo populacho que apedrejou e chutou a polícia, destruiu veículos e ateou fogo ao prédio. 65 mil manifestantes nas ruas de São Paulo. Dez mil tentaram invadir o Congresso Nacional, e alguns chegaram ao telhado. Milhares de manifestantes têm tomado as ruas de outras capitais e cidades grandes do Brasil.

Por quê? Tudo começou com os vinte centavos da tarifa de ônibus em São Paulo. Agora o povo quer transporte grátis para todos os estudantes (imagine só, numa cidade de vinte milhões de pessoas! Quem vai pagar o preço?) e os protestos estão se transformando numa crítica generalizada à corrupção e ineficiência do governo.

Qual é a solução? A maioria dos manifestantes pensa que a resposta é mais estatismo. Eles querem que o governo seja o provedor de serviços gratuitos e de alta qualidade. Porém, de onde sairá tanto dinheiro para pagar pelos serviços? Eles nem querem saber da origem: tudo o que sabem é que têm direito à carona, ao ‘almoço grátis’.

Ontem eu terminei de ler A Revolta de Atlas, escrito décadas atrás por Ayn Rand. Embora a autora esteja bastante equivocada em suas opiniões sobre a fé e a religião, ela é bem perspicaz ao identificar o espírito que move o socialismo, o comunismo e o estatismo: “Bem-aventurado é aquele que come do fruto do trabalho dos outros”. Nem preciso dizer que esse não é um espírito bíblico: é um repúdio total daquilo que Deus nos ensina no Salmo 128:2. O Salmista exclama que um dos sinais de viver uma vida bem-aventurada é o seguinte: “Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem.” Contudo, o movimento revolucionário do inverno brasileiro continua desprezando o trabalho honesto, exigindo que o Estado cuide deles do nascimento até a velhice. Não poderão ser felizes, e nada lhes irá bem!

É interessante ver como na prática aqueles manifestantes que abusam do direito a opinar e protestar têm reforçado o problema e criticado a solução. Destroem propriedade privada e criticam o capitalismo. Querem atacar bancos, lojas e outros símbolos desse ‘horrível’ sistema que lhes proporciona papelão para as placas, canetas para escrever, sapatos e roupas, iPhones, conexão digital, Twitter, Facebook e todas as outras ferramentas que aplicam em rebeldia. Se o capitalismo gera isso tudo, pode muito bem proporcionar o transporte coletivo acessível e eficiente, usando responsavelmente o trabalho das nossas mãos.

Privatizem a Copa! (De verdade)

por Lucas G. Freire

O filme australiano The Castle (O Castelo) retrata uma família humilde que vive feliz à beira da pista do aeroporto internacional. Um belo dia, a família é avisada: vai ter que se mudar, pois haverá obras de expansão da pista. O pai, trabalhador honesto, recorre à justiça. O burocrata municipal diz que a empreiteira tem uma “relação especial” com o governo. A casa da família sofreu “aquisição compulsória” e haverá compensação pela perda da propriedade. O pai diz: “mas nós não queremos nos mudar!” Sua casa é seu castelo.

Continuar lendo

Devorando a Liberdade

por Lucas G. Freire

O jornalista Jim Antle lançou ontem o seu livro Devouring Freedom (Devorando a Liberdade). A pergunta central do livro é se a concentração cada vez maior do poder político nas mãos do estado pode ser revertida. Antle dá sua resposta em termos da história dos presidentes e do poder legislativo nos Estados Unidos.

A estatização da sociedade de fato pode ser revertida, mas o grande problema no sistema político americano é a ilusão de que os republicanos representam “mais liberdade” e os democratas representam “menos liberdade”. Para Antle, isso é um dos maiores obstáculos na vida política do país – vários republicanos e conservadores na história foram responsáveis por grandes atentados à liberdade.

Por exemplo, a criação do Ministério da Educação sob o governo George W. Bush e sua “maioria republicana” no Congresso – uma burocracia estatal que viola a Constituição dos EUA, onde fica claro que o governo não tem direito algum a regular a educação e cultura do país – e tem na verdade o dever de não se intrometer. Mas por algum motivo absurdo os republicanos conseguem fingir que favorecem princípios de governo limitado, livre-mercado, liberdades pessoais, etc.

No Brasil, algo parecido acontece. Temos uma divisão entre “esquerda” e “direita” que na verdade quer dizer “estatismo vermelho” e “estatismo azul”. Jornalistas, comentaristas, políticos e povo “torcem” para o partido A ou partido B (e seus candidatos) como se fossem times de futebol. No fundo, o sistema ainda é dominado pelo mesmo tipo de política – a política do Leviatã estatista. É aqui que a Política Reformada pode fazer a diferença.

Até agora, “moralistas” e antisocialistas no meio cristão têm se aliado ao “estatismo azul” como a solução para os nossos problemas. O “estatismo azul” inclui certos intelectuais públicos disfarçados de conservadores. Na verdade, são neoconservadores que querem usar o gigantismo estatista para impor sua agenda moralizante de cima para baixo. Usam um discurso de liberdade e de antisocialismo quando querem apenas um estatismo de legenda diferente.

A Política Reformada reconhece a soberania absoluta de Deus sobre todas as coisas. Qualquer outra soberania é relativa – os pais na família, os professores na escola e o legislador na assembleia. Qualquer soberania humana é limitada em “assunto” e limitada em “nível”. A Política Reformada requer do cristão que reconheça o limite do governo civil. Ao contrário do “estatismo azul”, a Política Reformada não quer inflar o Estado para usá-lo como seu “comitê executivo” de coerção e compulsão.

O povo reformado defende uma agenda política de justiça pública. Essa não é a agenda de favoritismo, de conquista de privilégios especiais e de usar o estado como fantoche particular de causas privadas. Se fosse assim, a Política Reformada seria parte do problema – o problema da idolatria estatista que afronta a soberania absoluta de Deus. A nossa agenda, pelo contrário, é uma agenda que limita o poder estatal em “assunto” e “nível” contra qualquer tipo de estatismo, seja ele “vermelho” ou “azul”.

Washington DC, 3 de Abril, 2013.

Traduções e Material Didático em 2013

Junto com o professor Leonardo Ramos (PUC-Minas), traduzi e editei um volume contendo uma introdução ao pensamento político reformado (na linha de Abraham Kuyper) com dois ensaios de peso escritos pelo jurista e filósofo Herman Dooyeweerd.

O projeto foi, desde o começo, apoiado pela Associação Kuyper para Estudos Transdisciplinares (AKET), que obteve os direitos de publicação em língua portuguesa. Agradeço a todos os membros da AKET e KuyperHub pelo apoio técnico, intelectual e editorial. Agradeço principalmente ao Guilherme V. R. Carvalho pelo apoio valoroso, e ao co-editor Leo Ramos pelas incansáveis horas de tradução e revisão do material.

O texto foi confirmado para publicação pela editora Vida Nova em sua página de notícias. Os detalhes da coleção em que o texto será publicado, incluindo outros livros do conjunto, podem ser encontrados na página da editora.

O projeto Política Reformada tem negociado mais parcerias e levantado fundos para publicar a tradução de artigos reformados sobre governo limitado e liberdades políticas. No ano de 2013, além de produzir novos comentários políticos, divulgaremos algumas dessas traduções juntamente com material didático para educar o público geral em vários níveis de escolaridade a respeito dessa rica tradição de ética cristã.

Obrigado pelo incentivo e contínuo interesse nas nossas atividades.

Lucas G. Freire

— Editor Geral.

Fraude e a Crise Econômica

Veja o excelente documentário Fraude sobre as causas da atual “crise econômica” global. Foi produzido pelo Instituto Juan de Mariana (Espanha) e traduzido e distribuído no Brasil pelo Instituto Ludwig von Mises Brasil.

Enquanto muitos culpam a “ganância” pela crise, é importante notar que a ganância está sempre presente, pois a natureza humana não muda. A questão é que, em certas estruturas, isso serve de incentivo à fraude e roubo.

O sistema financeiro atual, baseado no socialismo monetário, que denunciamos em outra ocasião, promove a fraude e o roubo em grande escala, principalmente quando privatiza os lucros mas socializa as pertas, como é o caso dos resgates bancários.

Tradução: Franciscus Junius

O Centro Interdisciplinar de Economia e Ética Personalista traduziu uma pequena passagem do autor reformado Franciscus Junius (1545-1602). O texto pode ser encontrado na página do CIEEP.

Junius foi pastor dos cristãos franceses nos Países Baixos. Morou em Genebra e Heidelberg, onde foi professor da faculdade de teologia. Também chegou a ser professor em Leiden.

Destacou-se por suas compilações exegéticas acerca do Antigo Testamento. Seus escritos foram reeditados por Abraham Kuyper.

Até que enfim?

Edição recente da revista Veja (5 Set. 2012) traz a seguinte declaração na capa:

Até que enfim. Com as condenações de mensaleiros pelo STF e a perspectiva inédita da prisão de corruptos, o Brasil reencontra o rumo ético: volta a saber distinguir o certo do errado.

Será que é isso mesmo? Será que o STF tem o poder de criar, do nada, o discernimento entre a mão direita e a mão esquerda no povo brasileiro? Será que o problema é externo, e basta o STF nos “iluminar” para que o mal seja cortado pela raiz?

Jackson Salustiano, nosso colunista do Departamento Jurídico, escreve:

O superdimensionamento dado (…) ao julgamento e especialmente à Corte Judicial tem gerado uma expectativa nacional de redenção às mazelas do país, levando inclusive alguns crentes a acalentar uma expectativa de mudança moral no cenário brasileiro.

Entretanto, nunca a redenção de qualquer nação, sociedade ou pessoa poderá ser produzida por uma instância de poder terreno, pois há somente um que pode promover a redenção do homem capaz de expurgar suas mazelas orgânicas, morais e espirituais: Jesus Cristo, que justifica gratuitamente por sua graça (Ro. 3:24). A Ele foi dado todo poder sobre terra e céu. Aos Seus pés o Senhor Deus calcou todas as coisas para consumar a plena redenção de toda criação para uma nova ordem celestial.

Vale sempre lembrar o que diz o salmista: “Não confieis em príncipes, nem em filho de homem, em quem não há salvação” (Sl. 146:3). Sim: o crime, o roubo, a agressão, a fraude, e assim por diante, precisam ser combatidos. Mas que nossa esperança não recaia sobre o STF ou qualquer outra organização humana. Não é o STF que trará a conversão da nação, nem é qualquer potestade, coerção e imposição externa. O STF, ao menos para os cristãos, não pode ser chamado de nosso Salvador e Redentor.