Sociedade Diversificada

por Lucas G. Freire

Estado por cima, famílias de um lado, corporações de outro e, dependendo do caso, uma igreja aqui e ali. A sociedade brasileira está monocromática demais. Digo “está”, porque essa não é, nem vai ser, a sua condição permanente.

Mas essa é a situação agora. Uma sociedade muito uniforme, muito agrupada em “grandes blocos”. Uma política muito voltada para servir ao interesse desses blocos, e um padrão de interação social muito pouco criativo. Eu tenho família, trabalho, vou à igreja e confio no governo para o resto.

O resto? O resto é muita coisa! Pare para pensar um pouco: você provavelmente também faz parte de um grupo, formal ou informal, de pessoas que praticam esportes. E as instituições de ensino? Certamente já esteve em alguma, não é? E o seu sindicato trabalhista? E o clube?

Acontece que esses outros “departamentos” da vida social têm perdido seu lugar. Aos poucos, temos sido persuadidos a delegar mais e mais, por inércia, aos “grandes blocos”. Invariavelmente, esses “grandes blocos” tem esse tamanho porque ou pertencem ao próprio governo, ou recebem deste uma ajuda especial.

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Arte, Educação, Governo e cada Coisa no seu Lugar

por Lucas G. Freire

Dois assuntos polêmicos tem marcado o noticiário atual: arte e educação. Circula pela esfera digital um protesto contra o comediante Renato Aragão, vulgo Didi Mocó. Segundo alegações, Didi estaria planejando uma espécie de filme blasfemo de comédia. O protesto é contra o caráter ofensivo do suposto filme. Muitos cristãos se mobilizaram para denunciar o comediante sem nem procurar saber se o boato é mais que um boato. Didi já negou que planeja esse filme.

Outro caso que tem circulado no mundo virtual é o de uma menina no sul do país, que começou seu diário de denúncias à escola pública onde estuda. A página que ela começou tem fotos de paredes rabiscadas, telefones públicos estragados e outros problemas com a escola. A menina foi ameaçada de ser processada pelo sistema de educação pública. Por outro lado, a diretoria da escola já decidiu responder a algumas das críticas fazendo melhorias no prédio.

Essas duas coisas estão relacionadas. Os cristãos em protesto contra Didi pedem para que ele seja censurado. Em uma versão menos intensa do protesto, eles pedem que não haja qualquer verba para o alegado projeto. No caso da menina e das escolas públicas, a grande maioria das pessoas pressupõe que a solução é “investir” mais em educação. Quando elas dizem “investir”, na verdade querem dizer empregar o dinheiro que você e eu pagamos para a suposta educação que essas crianças precisam. A relação entre essas duas coisas (educação e arte) é que as pessoas acreditam que o governo tem um papel muito ativo a cumprir.

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O Genuíno Cristão é um Pensador Politizado (Parte 2)

Nota do Editor Geral: Esta é a segunda e última parte deste ensaio. A primeira parte desenvolve o ponto de vista intelectual. Nesta parte, o tema político é abordado.

por Jackson Salustiano

O cristão, além de ser vocacionado à reflexão, é, também, chamado a exercer sua cidadania no mais alto padrão como um ser plenamente politizado. Impresso pela cruz que faz vértice em seu peito fundando os dois alicerces de sua vida – o amor à Divindade que o criou e o amor ao seu próximo. O amor a Deus é manifestação de um reconhecimento lúcido de sua Origem. O amor ao próximo se pauta em princípios universais, coerentes e harmônicos de sua existência e coexistência.

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Inflação e Fraude

por Lucas G. Freire

Funcionários do Banco Central do Brasil estão em greve. Pedem um reajuste de salário em torno de 23%.

Uma das causas desse pedido é que, desde o último reajuste, a vida se tornou mais cara. A comida subiu de preço. As roupas aumentaram de valor. A gasolina está um absurdo.

Quando os preços mais importantes de uma economia aumentam sem parar, temos um sintoma da inflação. Inflação em si não é o mero aumento de preços. Inflação tem a ver com o mecanismo que causa esse aumento geral.

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O Genuíno Cristão é um Pensador Politizado (Parte 1)

Nota do Editor Geral: este texto é a primeira parte de um ensaio sobre o chamado do cristão a ser um pensador politizado. Esta parte introduz o tópico e desenvolve o ponto intelectual. A segunda parte desenvolve o tema político.

por Jackson Salustiano

O genuíno cristão por natureza é vocacionado a ser um completo acadêmico politizado. Esta descrição possui duas partes. Por um lado, o cristão é um acadêmico ou pensador no sentido clássico de ‘amigo do conhecimento’, como os filósofos da antiga escola de Platão. Por outro lado, o cristão é também politizado, isto é, possui a capacidade de compreender a importância do pensamento e da ação política; de dar ou de adquirir consciência dos deveres e direitos como cidadão.

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Táxis, Cooperativas e Política Cristã

por Lucas G. Freire

Logo após pousar no aeroporto de Confins e retirar minha bagagem, procurei um táxi de cooperativa para ir para Belo Horizonte. Os táxis de cooperativa são famosos na capital mineira por conta da boa qualificação dos motoristas e alta qualidade dos veículos. Minha ideia era ter um restante de viagem confortável, e usar o táxi “azul”, como nós o chamamos, foi uma boa escolha.

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Contra o Sequestro do Esporte Moderno

por Lucas G. Freire

Todo mundo sabe que existe uma grande diferença entre as Olimpíadas modernas e a sua instituição “xará” da antigüidade clássica. O abismo entre uma coisa e outra não é somente quantitativo (por exemplo,há hoje um maior número de competidores e de esportes do que na Grécia antiga). Pelo contrário, as diferenças mais interessantes são de natureza qualitativa. Considere,como ilustração, o status relativamente independente do esporte nos nossos dias: será que as coisas sempre foram assim? A resposta deve ser negativa. É claro que houve um tempo em que certas áreas da vida,como o lazer, por exemplo, eram pouco diferenciadas daquilo que se considerava o “motor” cultural. No caso das Olimpíadas originais, é curioso notar como a prática da competição refletia um dos princípios-chave da civilização grega: os jogos eram parte de um festival religioso e público dedicado a Zeus. Ou seja, dependiam necessariamente do contexto à sua volta, e realizá-los sem essa referência era simplesmente impensável.

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