Graça e evangelho até as entranhas

por Douglas Wilson

Sem domínio próprio, nenhuma outra forma de governo justo é possível. A única maneira de equilibrar ordem e liberdade em qualquer sociedade mais liberal é quando seus indivíduos sabem como equilibrar ordem e liberdade em suas próprias vidas. O referencial de liberdade organizada é a liberdade do vício no nível individual.

Aqueles que exercem autoridade despótica sabem disso tanto quanto os amantes da liberdade. É por isso que oferecem suborno. Licenciosidade sexual, fumar maconha, pornografia generalizada e bebedeira criam sensações de liberdade, mas tudo isso são coisas que podem ser permitidas no cubículo de uma cela de prisão. Oferecidas sensações incompletas de liberdade e impostas grandes restrições sobre a liberdade externa, você tem uma sociedade que é, ao mesmo tempo, licenciosa e legalista. É onde nos encontramos hoje.

bees-276190_1920É conveniente, para uma república livre, eleger um presidente para representá-los. Mas quando uma república começa a se transformar em um enxame coletivista, como a nossa se transformou, o nome mais apropriado para o líder desse governo seria algo como “apicultor”. As abelhas são coagidas externamente, mas antinomianas por dentro.

É fácil considerar o legalismo como uma ponta do espectro e a licenciosidade como a outra, com a liberdade ocupando algum tipo de posição intermediária, como se fosse um caso de calcular a média entre legalismo e licenciosidade. Mas isso está longe de ser verdade. A liberdade não é uma questão do ideal aristotélico [“a virtude está no meio”]. Legalismo e licenciosidade são siameses ligados numa ponta, com a liberdade na outra. A liberdade é a única alternativa a ambos.

Jesus disse que nossa justiça precisava exceder a dos fariseus (Mt 5.20). Elas eram um amontoado de regras, restrições e “não toqueis” (legalismo), mas também um amontoado voraz de concupiscências (Mt 23.25). Internamente, era tudo permissividade. Eles não eram justos, e nem de longe justos o suficiente.

Esta liberdade sobre a qual estou falando, a liberdade do homem livre, só é possível como a liberdade de um homem cristão. E isso significa graça e evangelho até as entranhas.

Fonte: Blog & Mablog

Tradução: Leonardo Bruno Galdino

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A base do governo livre

por Douglas Wilson

chains-19176_1920A base de toda forma de governo livre — quer na família, nos assuntos civis ou no governo da igreja — é a autonomia. Se as pessoas não têm autocontrole, pode ter certeza de que elas serão controladas por forças externas.

É fácil lamentar o despotismo quando ele oprime, quando os impostos são dívidas e quando as regulamentações são onerosas. Quando Faraó exige tijolos mas não fornece as palhas, todos os escravos lamentam a escravidão. Sempre que as contas vencem, o mundo inteiro é libertário.

Assim, precisamos comparar dois ensinos da Escritura. O primeiro é que a liberdade é obra do Espírito de Deus. “Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2Co 3.17). E a segunda passagem é esta: “Mas o fruto do Espírito é […] domínio próprio” (Gl 5.22-23). Um dos principais instrumentos que o Espírito Santo usa para promover a verdadeira liberdade é libertar da imoralidade os que dela são escravos. Ele corta suas correntes. Mas o autor do hino sabe o que necessariamente resulta disso. Levantei-me, segui adiante e Te segui.

Uma geração de escravos do pecado não pode ser livre. Eles não sabem o que é liberdade. Ela os aterroriza. Se lhes fosse concedida, não teriam ideia de como preservá-la. “Como cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio” (Pv 25.28). É por isso que a embriaguez é uma questão política. É por isso que a pornografia é uma questão tão séria. Uma geração de fumantes de maconha não pode ser livre.

Se algum déspota propusesse acorrentar você na parede de um calabouço, mas prometesse implantar um eletrodo na central de prazer do seu cérebro de tal forma que você tivesse uma euforia incessante até o dia de sua morte, o que você acharia disso? Mas se você não aceitaria esse grandioso suborno, por que está perdendo tempo com suborninhos? Se você não aceitaria um prazer desmedido em troca de sua liberdade, por que está se conformando com prazeres insignificantes em troca dela?

Só há um modo de homens e mulheres libertarem-se: se forem endireitados.

Tradução: Leonardo Bruno Galdino

Original: The Foundation of Free Government

 

Arte urbana

por Peter Leithart

Apocalipse 21-22 fornece uma visão de uma cidade adornada. Reis trazem-lhe tesouros, mas a cidade não é um galpão de objetos de arte. A cidade é um objeto de arte. A ordem civil inteira é uma criação artística.

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Imagem: “Tapeçaria do Apocalipse”, Castelo de Angers, França.

Se a cidade é um objeto de arte, segue-se que todas as demais funções e ações que entram na estrutura e criação de uma cidade possuem uma dimensão artística. Note a descrição da cidade em Apocalipse 18.22-24. As coisas que faltam na Babilônia são aquelas que compõem a vida civil:

E voz de harpistas, de músicos, de tocadores de flautas e de clarins jamais em ti se ouvirá, nem artífice algum de qualquer arte jamais em ti se achará, e nunca jamais em ti se ouvirá o ruído de pedra de moinho. Também jamais em ti brilhará luz de candeia; nem voz de noivo ou de noiva jamais em ti se ouvirá, pois os teus mercadores foram os grandes da terra, porque todas as nações foram seduzidas pela tua feitiçaria. E nela se achou sangue de profetas, de santos e de todos os que foram mortos sobre a terra.

Essas são as “artes” da vida urbana, e incluem não apenas as belas artes, mas as artes mecânica, política e econômica.

Uma cidade é um ambiente construído, e há uma dimensão estética óbvia para a organização de seu espaço, os tipos de prédios e outras construções que a compõem, a harmonia dos edifícios, parques, calçadas e estradas.

Há uma dimensão artística para a política. Um governante hábil harmoniza e orquestra as pessoas e recursos para criar uma ordem civil não apenas bela, mas justa. A própria justiça é um tipo de beleza, de harmonia. Certamente é possível brutalizar seu caminho para uma cidade bela, mas uma ordem de justiça e liberdade é parte da beleza de uma cidade. Você pode criar uma cidade “bonita” que é construída para excluir determinadas pessoas de participarem plenamente dela, mas sua beleza será comprometida.

Há uma dimensão artística para os negócios, que produz e distribui bens e serviços que intensificam as vidas dos habitantes, que adornam a cidade com riqueza e beleza.

Fonte: First Things

Tradução: Leonardo Bruno Galdino

Os Testamentos da Bíblia e a posse de armas

por Douglas Wilson

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Outra boa razão para ter uma arma — embora você já conte com um monte de boas razões — é que ela dá a oportunidade de fazer um curso de teologia prática. E o curso que tenho em mente é a diferença crucial entre o Antigo e o Novo Pacto.

Há algumas inverdades sobre a relação entre os testamentos muito fáceis de perceber. Por exemplo, o Deus do Antigo Testamento (AT) era um Deus de ________. Se você não preencheu com a palavra “ira”, então você deve ter se sentido incomodado na classe de catecúmenos. Isso está em contraste com o Deus do Novo Testamento (NT), um Deus de ________. É isso mesmo, classe: presume-se que a resposta certa seja “amor”.

Só que Deus é extraordinariamente amoroso no AT (Sl 136), e sua ira arde mais ferozmente no NT do que em qualquer outro lugar (Ap 19.3).

Outro erro — o que estamos considerando aqui — é Deus munir seu povo com bênçãos temporais e tangíveis no Antigo Testamento, e com bênçãos espirituais no Novo. Supõe-se que isso explique o fato do povo de Deus no AT ser bélico (Sl 144.1) e, no NT, abandonar as armas carnais e adotar armas muito mais poderosas e espirituais (2Co 10.4).

Temos de declarar agora nos termos mais fortes possíveis: há momentos em que o povo de Deus — os cristãos — deve lutar como gatos selvagens, e outros em que devemos seguir como cordeiros para o matadouro. Esses dois “momentos” não têm relação com o Antigo Pacto e o Novo Pacto. Quando for decidir o que fazer, o crente deve procurar saber em que momento ele se encontra, e não em que milênio.

Aqui está a razão:

Em se tratando deste assunto — e todos os pontos cardeais relacionados a ele —, precisamos estudar especialmente o capítulo 11 de Hebreus. O que os grandes homens e mulheres de fé no AT confessaram? Que eles eram “estrangeiros e peregrinos na terra” (Hb 11.13). Todos confessaram isso, não apenas os mártires. Guerreiros e mártires assim o fizeram.

O que essa fé resultou para eles? Para alguns, em martírio; para outros, em vitórias espetaculares.

“32 E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas, 33 os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, 34 apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos. 35 As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; 36 e outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. 37 Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados 38 (dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. 39 E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa” (Hb 11.32-39).

Olhe para todas as vitórias “carnais” até o versículo 35, e para as “espirituais” a partir do versículo 36. Um momento de reflexão, naturalmente, deveria nos revelar que todas essas vitórias foram obtidas pela fé, e os dois diferentes tipos de vitória não diziam respeito à era pactual em que estavam vivendo.

Reflita, então, sobre o fato de que todas essas vitórias, não apenas algumas delas, nos foram estabelecidas como modelos a ser imitados (Hb 12.1). Devemos correr nossa corrida com Davi (o homem que venceu grandes batalhas com sua fé) e Isaías (o homem que foi serrado ao meio por sua fé) nas arquibancadas. Isso exige discernimento moral e ético por parte dos cristãos. Descobrir se você vive antes ou depois de Cristo, porém, não requer nenhum discernimento. Achar que qualquer era do pacto nos proporciona uma ética simples e fácil de usar sobre a questão da violência, em que um tamanho serve para todos, é cometer uma injustiça radical contra o ensino da Escritura.

Desse modo, isso remete à posse de arma. Por isso que o Cerco de Leiden foi uma nobre diligência cristã por parte dos protetores, e por que a não resistência de Latimer e Ridley foi um nobre martírio cristão. A igreja de Deus abrange guerreiros e contemplativos, pessoas que lutam e que amam. Não os temos somente agora: sempre os tivemos. O que estamos por fazer vai depender das circunstâncias, não do calendário.

No Antigo Pacto, Jeremias foi um patriota quando disse aos habitantes de Jerusalém que não lutassem com os babilônios. No Antigo Pacto, Neemias foi um patriota ao manter seus homens trabalhando nas muralhas da mesma cidade com uma arma em uma das mãos e uma ferramenta na outra. Em contraste, o militarista e pacifista modernos têm algo em comum, e é um sentimento compartilhado muito significativo. Ambos estão em busca de respostas fáceis.

Então, se você tem uma arma em casa, você deve guardá-la com segurança e pegar sua Bíblia. E por quê? Porque você é um cristão cansado de respostas fáceis.

Fonte: Blog & Mablog

Tradução: Leonardo Bruno Galdino

Revisão: Rogério Portella

O dever do riso

por Douglas Wilson

Dia desses joguei um tweet no abismo digital e observei-o rodopiar para baixo, bem para baixo, o que me lembrou essas sementinhas que caem rodopiando das árvores.

De qualquer forma, foi isso o que eu disse:

Aqueles que não podem responder a exemplos de loucura cultural com o riso estão em processo de tornarem-se loucos.

E aqui está a minha explicação desse sentimento, pois acho que isso exige uma explicação.

Há dois tipos básicos de filmes sobre catástrofes. O primeiro é quando você está lidando com uma fileira de vulcões abaixo da principal via pública da sua cidade, e um superintendente mal pago do serviço de esgoto, com uma assistente atraente, é responsável por colocar uma cortiça neles todos, para que não pereçamos – ou algo desse tipo.

O outro tipo de filme sobre catástrofe é quando a força motriz é humana, demasiadamente humana durante todo o tempo. A esse tipo de filme chamamos de impostura (farsa).

Existe ainda um terceiro tipo, em que é feita uma tentativa de junção: aquele no qual um vilão extremamente competente assume o papel da fileira de vulcões, do asteroide gigante, do tsunami, ou do que quer que seja.

Martin-Luther-1aOra, o pecado habitual dos conservadores é acreditar que eles estão no terceiro tipo de filme, em vez de estar onde realmente estão, que é no segundo.

Lembro-me da definição dada pelo lexicógrafo Ambrose Bierce à palavra idiota:

Idiota: um membro de uma extensa e poderosa tribo cuja influência nas relações humanas sempre tem sido dominante e controladora. Sua atividade não está confinada a qualquer campo específico de pensamento ou ação, mas “invade e regula o todo”. Ele tem a última palavra em tudo; sua decisão é inapelável. Ele estabelece as modas e opiniões de gosto, dita os limites do discurso e circunscreve a conduta com prazo determinado.

Os conservadores tendem a cuidar dos seus próprios negócios, buscando criar os seus filhos, fazer as suas próprias coisas. Quando começa a ficar evidente para eles que a Alta Loucura agora está comandando o show, a resposta comum é ou raiva ou medo. Motivados por isso, lançam-se em uma vida de ativismo. Mas ambas as motivações são facilmente incorporadas pelo adversário, que as usa para o seu proveito. Raiva e medo concedem autoridade demais ao inimigo – sempre nos julgamos contra Marx, mas acabamos por ser os Irmãos de Marx.

E então chegamos ao ponto. Há um certo tipo de riso que é a única resposta séria eficaz.

Dito isto, permita-me responder a uma objeção específica. Particularmente, não acho que a danação humana seja engraçada. De modo semelhante, não acho a depravação de grandes repúblicas engraçada. Não convoco um levante de riso quando a grande máquina da pobreza que é o socialismo é solta em cima das pessoas.

Mas é engraçado ver pessoas instruídas (que conseguiram tirar carteira de motorista) defendendo o socialismo. Isso se dá porque, em outro sentido, o orgulho e o senso de importância pessoal sempre são engraçados. E é esse orgulho e presunção que constroem as prisões em que as tragédias ocorrem. Se você quer sair dessa prisão, caberá a você zombar dos carcereiros. Curvar-se perante eles os deixaria mais calmos, e provocá-los com insultos de raiva apenas agrava a sua própria prisão.

“Aquele que habita nos céus se rirá; o Senhor zombará deles” (Salmo 2.4).

De Elias escarnecendo dos sacerdotes de Baal a Jesus ridicularizando os fariseus, passando por Lutero estapeando o papado, vemos o poder da zombaria justa. Não caia no erro de pensar que o “humorista” é alguém leviano nesses nossos assuntos mortalmente sérios. Ele pode ser o único a levar a ameaça tão a sério quanto mereça, e pode ser o único a oferecer um contraponto eficaz.

Tradução: Leonardo Bruno Galdino

Original: Laughter Duty

 

Dia da Terra, ambientalismo e mordomia

por Douglas Wilson

communism-wallpaper-with-hills1Hoje, 22 de abril, é o dia da Terra, e já que ainda não escrevi sobre essa tolice, deixe-me fazer isso agora.

Você foi treinado para pensar — embora condicionado a pensar seja um modo mais acurado de dizer isso — que o debate sobre o meio-ambiente é um debate entre aqueles que querem cuidar do planeta e aqueles que não querem. Mas, como Lao Tzu talvez diria, “não é isso”.

C.S. Lewis certa vez expôs, em A abolição do homem, que quando falamos do homem conquistando a natureza, geralmente falamos de homens conquistando outros homens, com a natureza sendo usada como instrumento. Este é o caso aqui.

Se houvesse dez de nós em uma sala, e alguns pensassem que a sala está quente demais e outros que ela está fria demais, e alguém se pusesse na posição de termostato com um revólver com o objetivo definir e controlar o debate, seria pouco acurado dizer que ele tivesse simplesmente “controlado a temperatura”, embora fosse isso. Se quiséssemos entender o que estava acontecendo, teríamos de reconhecer que ele controlou as pessoas na sala, usando a temperatura como sua “causa” alegada, a questão que finalmente o forçou a agir.

Pense nisso. Para que serve o revólver? Ele não pode balear a temperatura.

Ambientalistas não podem controlar o meio-ambiente. Eles podem controlar você, usando o meio-ambiente como instrumento. Ah, não, de modo algum, você diria, eles não querem dirigir a vida de ninguém… Aguarde um momento, eu tenho de separar o meu lixo.

Eles são os únicos empunhando multas e penas de prisão, e usando o clima como seu instrumento.

É claro que se o debate fosse entre defensores da boa mordomia cristã e defensores da má mordomia, os cristãos iriam querer estar do lado certo, o dos bons mordomos. Mas a mordomia somente se aplica se você tiver autoridade, a qual só é possível se estivermos falando de propriedade privada. Mas quando um homem do governo surge e ameaça você por coletar água da chuva ou algo do tipo, ele não está mostrando boa mordomia sobre a terra, está demonstrando má mordomia sobre você.

Entendo que os ambientalistas são mordomos, mas de um tipo bem peculiar:

Se aquele servo disser consigo mesmo: Meu senhor tarda em vir, e passar a espancar os criados e as criadas, a comer, a beber e a embriagar-se, virá o senhor daquele servo, em dia em que não o espera e em hora que não sabe, e castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os infiéis. (Lucas 12.45-46)

Tradução: Márcio Santana Sobrinho

Perspectivas pós-deflagração de impeachment

Por Norma Braga

 

maxresdefaultMuita gente no Facebook está reclamando da qualidade dos deputados. Citaram até os cabelos malfeitos (também notei as cores heterodoxas e os implantes esquisitos; de cima, a câmera mostrava tudo sem dó). A concordância verbal, a exemplo do Lula ao telefone, foi espancada gloriosamente. Professores de português em Brasília têm um vasto campo ali, inexplorado.

***
Ouvi boa parte dos minidiscursos (alguns nem tão “mini” assim) dos votantes ontem. Apenas um deles me encantou: o de Sérgio Reis. E nem sei dizer se não terá sido principalmente por causa da linda voz ou do personagem dele em Pantanal.
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Mas o que eu queria dizer mesmo é o seguinte. Em seu voto, Bolsonaro invocou o coronel Ustra e Wyllys cuspiu nele na saída. Vozes se levantaram no Facebook: “Bem-feito!” E Wyllys se tornou uma espécie de vingador de torturadores. (Sendo que seu cuspe vingava o próprio cuspidor.) É engraçado como não percebem o óbvio: Bolsonaro e Wyllys têm mais em comum do que se pensa. Um puxa para o autoritarismo de direita, o outro, para o autoritarismo de esquerda. Pois é, sinto dizer, mas Bolsonaro está muito longe de um conservador típico do jeito que o entendo (leia Burke, Roger Scruton, Pereira Coutinho). Nenhum conservador típico louvaria em público um torturador da ditadura militar. Há um autoritarismo entranhado em nossa matriz cultural de que TODO brasileiro precisa se arrepender, sem exceção, para ser um conservador típico.
Eu só votaria em Bolsonaro em um caso muito específico: voto útil. Ou seja: entre ele e qualquer político de partidos comunistas e socialistas, fico com ele. Convicta. Afinal, a opção da ditadura militar já se esgotou no país; Bolsonaro não vai resgatá-la. Mas ainda tem muita gente que está doida para implantar uma ditadura de esquerda aqui. E, caso você não saiba, as ditaduras de esquerda têm um potencial destrutivo infinitamente maior. O militar queria moralizar o Brasil e acabar com as guerrilhas; o esquerdista totalitário quer bancar Deus e criar o homem novo do zero. Por esse simples motivo, os Wyllys da vida se tornam muito mais perigosos que Bolsonaro. Só que esse tipo de autoritarismo tem sido mais difícil de detectar, porque se disfarça de amor às “minorias oprimidas” e traz em seu bojo o messianismo estatal que ainda encanta o brasileiro.É isso, acima de tudo, que eu desejo para o Brasil: que o “autoritarismo do oprimido” se torne claro como o dia. Quando a indignação com um Bolsonaro citando Ustra for diretamente proporcional ao escândalo de um Wyllys orgulhosamente fantasiado de Che Guevara, teremos perspectivas políticas bem melhores.

Originalmente publicado no blog da autora.

64 perguntas para se fazer a um abortista

por Kevin DeYoung

newborn-baby-990691_1280Do que deveríamos chamar aquele que ainda não nasceu e está no útero?

Se aquela entidade é um ser vivente, não é uma vida?

Se você surgiu primeiramente como uma simples célula, como pode aquele óvulo fertilizado ser algo diferente de um ser humano?

Não é mais correto dizer que você era um embrião, em vez de dizer que simplesmente veio de um?

Então quando é que um ser humano passa a ter o direito de viver?

Devemos dizer que o tamanho importa?

Um feto é pequeno demais para merecer nossa proteção?

Pessoas grandes valem mais do que pessoas pequenas?

Homens são mais humanos do que mulheres?

Um jogador de basquete grandão tem mais direito do que um pequenino jóquei?

Uma vida num útero não pode ser levada em conta simplesmente porque você não pode segurá-la em seus braços, ou colocá-la em suas mãos, ou vê-la em uma tela?

Desenvolvimento intelectual e capacidade mental deveriam se tornar a medida de nossa dignidade? Continuar lendo

A Bíblia prega o pacifismo e desarmamento?

por Adriano Gama

pacifismNo segundo dia do ano, duas notícias no Portal G1 chamaram a atenção. Numa delas, “Carro passa atirando e mata 4 em bar em SP”. No meio da manhã, parecem ter descoberto que a culpa não era do carro: havia alguém dentro dele puxando o gatilho, e o título foi alterado para “Ataque a tiros em bar deixa 4 mortos em Guarulhos, na Grande SP”.

Em outra manchete, um fato que causou ainda mais perplexidade do que o ataque do carro que atirava sozinho: “Policial militar é preso após atirar e matar homem que invadiu sua casa”. Dessa vez, o título está correto, a narração dos fatos é que parece confusa. Mas, se tudo correu como se conta, o que aconteceu com o direito à legítima defesa no Brasil?

Estamos num país com quase 60.000 homicídios anuais, no qual a grande mídia e o governo são flagrantemente a favor de que se desarme o cidadão de bem, mesmo contra a opinião majoritária dos brasileiros. Continuar lendo

12 resoluções políticas que mudaram o mundo

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“Não espere soluções prontas vindas do governo. Não cruze os braços.”

Você provavelmente conhece o contexto. A música é Amazing Grace, de John Newton. O protagonista é o político cristão William Wilberforce. Estamos na Inglaterra do século 18 e, depois de diversos anos de luta em diversas frentes, é decretado o fim da escravidão na Inglaterra e, anos depois, a Grã-Bretanha proíbe o tráfico de escravos em todo o globo.

Se você não conhece a história, pode lê-la no capítulo 23 do livro “Servos de Deus”, um maravilhoso apanhado de perfis de homens de fé escrito pelo pastor Franklin Ferreira e publicado em 2014 pela editora Fiel. Lá também ficamos sabendo qual a visão que motivou Wilberforce e em quais pessoas ele encontrou apoio para persistir em tão longa e tão dura batalha.

Além do famoso pregador John Wesley e do próprio John Newton, que convenceu Wilberforce a que não se tornasse ministro do evangelho, mas permanecesse na política — um conselho, aliás, que poucos cristãos estariam hoje dispostos a dar —, o jovem político encontrou estímulo no chamado Grupo de Clapham. Continuar lendo