Arte urbana

por Peter Leithart

Apocalipse 21-22 fornece uma visão de uma cidade adornada. Reis trazem-lhe tesouros, mas a cidade não é um galpão de objetos de arte. A cidade é um objeto de arte. A ordem civil inteira é uma criação artística.

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Imagem: “Tapeçaria do Apocalipse”, Castelo de Angers, França.

Se a cidade é um objeto de arte, segue-se que todas as demais funções e ações que entram na estrutura e criação de uma cidade possuem uma dimensão artística. Note a descrição da cidade em Apocalipse 18.22-24. As coisas que faltam na Babilônia são aquelas que compõem a vida civil:

E voz de harpistas, de músicos, de tocadores de flautas e de clarins jamais em ti se ouvirá, nem artífice algum de qualquer arte jamais em ti se achará, e nunca jamais em ti se ouvirá o ruído de pedra de moinho. Também jamais em ti brilhará luz de candeia; nem voz de noivo ou de noiva jamais em ti se ouvirá, pois os teus mercadores foram os grandes da terra, porque todas as nações foram seduzidas pela tua feitiçaria. E nela se achou sangue de profetas, de santos e de todos os que foram mortos sobre a terra.

Essas são as “artes” da vida urbana, e incluem não apenas as belas artes, mas as artes mecânica, política e econômica.

Uma cidade é um ambiente construído, e há uma dimensão estética óbvia para a organização de seu espaço, os tipos de prédios e outras construções que a compõem, a harmonia dos edifícios, parques, calçadas e estradas.

Há uma dimensão artística para a política. Um governante hábil harmoniza e orquestra as pessoas e recursos para criar uma ordem civil não apenas bela, mas justa. A própria justiça é um tipo de beleza, de harmonia. Certamente é possível brutalizar seu caminho para uma cidade bela, mas uma ordem de justiça e liberdade é parte da beleza de uma cidade. Você pode criar uma cidade “bonita” que é construída para excluir determinadas pessoas de participarem plenamente dela, mas sua beleza será comprometida.

Há uma dimensão artística para os negócios, que produz e distribui bens e serviços que intensificam as vidas dos habitantes, que adornam a cidade com riqueza e beleza.

Fonte: First Things

Tradução: Leonardo Bruno Galdino

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