Os Testamentos da Bíblia e a posse de armas

por Douglas Wilson

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Outra boa razão para ter uma arma — embora você já conte com um monte de boas razões — é que ela dá a oportunidade de fazer um curso de teologia prática. E o curso que tenho em mente é a diferença crucial entre o Antigo e o Novo Pacto.

Há algumas inverdades sobre a relação entre os testamentos muito fáceis de perceber. Por exemplo, o Deus do Antigo Testamento (AT) era um Deus de ________. Se você não preencheu com a palavra “ira”, então você deve ter se sentido incomodado na classe de catecúmenos. Isso está em contraste com o Deus do Novo Testamento (NT), um Deus de ________. É isso mesmo, classe: presume-se que a resposta certa seja “amor”.

Só que Deus é extraordinariamente amoroso no AT (Sl 136), e sua ira arde mais ferozmente no NT do que em qualquer outro lugar (Ap 19.3).

Outro erro — o que estamos considerando aqui — é Deus munir seu povo com bênçãos temporais e tangíveis no Antigo Testamento, e com bênçãos espirituais no Novo. Supõe-se que isso explique o fato do povo de Deus no AT ser bélico (Sl 144.1) e, no NT, abandonar as armas carnais e adotar armas muito mais poderosas e espirituais (2Co 10.4).

Temos de declarar agora nos termos mais fortes possíveis: há momentos em que o povo de Deus — os cristãos — deve lutar como gatos selvagens, e outros em que devemos seguir como cordeiros para o matadouro. Esses dois “momentos” não têm relação com o Antigo Pacto e o Novo Pacto. Quando for decidir o que fazer, o crente deve procurar saber em que momento ele se encontra, e não em que milênio.

Aqui está a razão:

Em se tratando deste assunto — e todos os pontos cardeais relacionados a ele —, precisamos estudar especialmente o capítulo 11 de Hebreus. O que os grandes homens e mulheres de fé no AT confessaram? Que eles eram “estrangeiros e peregrinos na terra” (Hb 11.13). Todos confessaram isso, não apenas os mártires. Guerreiros e mártires assim o fizeram.

O que essa fé resultou para eles? Para alguns, em martírio; para outros, em vitórias espetaculares.

“32 E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas, 33 os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, 34 apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos. 35 As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; 36 e outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. 37 Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados 38 (dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. 39 E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa” (Hb 11.32-39).

Olhe para todas as vitórias “carnais” até o versículo 35, e para as “espirituais” a partir do versículo 36. Um momento de reflexão, naturalmente, deveria nos revelar que todas essas vitórias foram obtidas pela fé, e os dois diferentes tipos de vitória não diziam respeito à era pactual em que estavam vivendo.

Reflita, então, sobre o fato de que todas essas vitórias, não apenas algumas delas, nos foram estabelecidas como modelos a ser imitados (Hb 12.1). Devemos correr nossa corrida com Davi (o homem que venceu grandes batalhas com sua fé) e Isaías (o homem que foi serrado ao meio por sua fé) nas arquibancadas. Isso exige discernimento moral e ético por parte dos cristãos. Descobrir se você vive antes ou depois de Cristo, porém, não requer nenhum discernimento. Achar que qualquer era do pacto nos proporciona uma ética simples e fácil de usar sobre a questão da violência, em que um tamanho serve para todos, é cometer uma injustiça radical contra o ensino da Escritura.

Desse modo, isso remete à posse de arma. Por isso que o Cerco de Leiden foi uma nobre diligência cristã por parte dos protetores, e por que a não resistência de Latimer e Ridley foi um nobre martírio cristão. A igreja de Deus abrange guerreiros e contemplativos, pessoas que lutam e que amam. Não os temos somente agora: sempre os tivemos. O que estamos por fazer vai depender das circunstâncias, não do calendário.

No Antigo Pacto, Jeremias foi um patriota quando disse aos habitantes de Jerusalém que não lutassem com os babilônios. No Antigo Pacto, Neemias foi um patriota ao manter seus homens trabalhando nas muralhas da mesma cidade com uma arma em uma das mãos e uma ferramenta na outra. Em contraste, o militarista e pacifista modernos têm algo em comum, e é um sentimento compartilhado muito significativo. Ambos estão em busca de respostas fáceis.

Então, se você tem uma arma em casa, você deve guardá-la com segurança e pegar sua Bíblia. E por quê? Porque você é um cristão cansado de respostas fáceis.

Fonte: Blog & Mablog

Tradução: Leonardo Bruno Galdino

Revisão: Rogério Portella

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