Perspectivas pós-deflagração de impeachment

Por Norma Braga

 

maxresdefaultMuita gente no Facebook está reclamando da qualidade dos deputados. Citaram até os cabelos malfeitos (também notei as cores heterodoxas e os implantes esquisitos; de cima, a câmera mostrava tudo sem dó). A concordância verbal, a exemplo do Lula ao telefone, foi espancada gloriosamente. Professores de português em Brasília têm um vasto campo ali, inexplorado.

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Ouvi boa parte dos minidiscursos (alguns nem tão “mini” assim) dos votantes ontem. Apenas um deles me encantou: o de Sérgio Reis. E nem sei dizer se não terá sido principalmente por causa da linda voz ou do personagem dele em Pantanal.
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Mas o que eu queria dizer mesmo é o seguinte. Em seu voto, Bolsonaro invocou o coronel Ustra e Wyllys cuspiu nele na saída. Vozes se levantaram no Facebook: “Bem-feito!” E Wyllys se tornou uma espécie de vingador de torturadores. (Sendo que seu cuspe vingava o próprio cuspidor.) É engraçado como não percebem o óbvio: Bolsonaro e Wyllys têm mais em comum do que se pensa. Um puxa para o autoritarismo de direita, o outro, para o autoritarismo de esquerda. Pois é, sinto dizer, mas Bolsonaro está muito longe de um conservador típico do jeito que o entendo (leia Burke, Roger Scruton, Pereira Coutinho). Nenhum conservador típico louvaria em público um torturador da ditadura militar. Há um autoritarismo entranhado em nossa matriz cultural de que TODO brasileiro precisa se arrepender, sem exceção, para ser um conservador típico.
Eu só votaria em Bolsonaro em um caso muito específico: voto útil. Ou seja: entre ele e qualquer político de partidos comunistas e socialistas, fico com ele. Convicta. Afinal, a opção da ditadura militar já se esgotou no país; Bolsonaro não vai resgatá-la. Mas ainda tem muita gente que está doida para implantar uma ditadura de esquerda aqui. E, caso você não saiba, as ditaduras de esquerda têm um potencial destrutivo infinitamente maior. O militar queria moralizar o Brasil e acabar com as guerrilhas; o esquerdista totalitário quer bancar Deus e criar o homem novo do zero. Por esse simples motivo, os Wyllys da vida se tornam muito mais perigosos que Bolsonaro. Só que esse tipo de autoritarismo tem sido mais difícil de detectar, porque se disfarça de amor às “minorias oprimidas” e traz em seu bojo o messianismo estatal que ainda encanta o brasileiro.É isso, acima de tudo, que eu desejo para o Brasil: que o “autoritarismo do oprimido” se torne claro como o dia. Quando a indignação com um Bolsonaro citando Ustra for diretamente proporcional ao escândalo de um Wyllys orgulhosamente fantasiado de Che Guevara, teremos perspectivas políticas bem melhores.

Originalmente publicado no blog da autora.

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6 pensamentos sobre “Perspectivas pós-deflagração de impeachment

  1. “Voto útil”. Texto bem escrito e objetivo. Só não consigo entender como mensurar que uma ditadura de esquerda é pior que uma de direita. Uma (esquerda) quer eliminar Deus. A outra (direita) elimina vidas em nome dEle. Foi assim na Idade Média, foi assim com os anabatistas durante a reforma, foi assim com Hitler, Stalin, Fidel Castro…..
    Tendo qualquer lado para escolher, não escolho nenhum. Meu “voto útil” é nulo. Embora você afirme que não há risco de retorno de uma ditadura militar, ambos os lados aprenderam bem a criar ditaduras ideológicas. Não dá pra achar que um lado é melhor que o outro. Ambos são humanos e o cristianismo não se conforma a nenhum deles.

    • Infelizmente Paulo Cauás que respondeu acima, não existe voto nulo. Assim como na votação dos deputados os que se abstém os votos eram contados junto com quem era contra ao impeachment, no final das contas quem vota nulo ou deixa de votar é como se votasse no mais votado.

  2. Até hoje não apareceu uma prova concreta contra o Coronel Brilhante Ustra. Foi condenado na justiça moralmente por ação declaratória e danos morais apenas pela palavra de algumas pessoas que juram lutarem pela “democracia”.

    Das centenas de pessoas vitimas das mais perversas técnicas de tortura que o perverso e sádico Coronel em questão adorava infligir,nenhuma delas tem sequer uma cicatriz para contar.

    Bete Mendes que foi a primeira “vítima” a acusá-lo, foi presa e liberada antes do previsto por causa do Ustra que em documentos oficiais elogiava o comportamento da moça e afirmava que seus atos terroristas não passavam de um engano infantil da juventude, recomendando a liberação antecipada da moça – exatamente como um desalmado torturador faria.
    Na época após sair da prisão(em 19 dias sem uma marca de agressão), junto com seus advogados de defesa certificou perante um juiz de que não sofreu nenhum tipo de tortura.

    No livro “Rompendo o silêncio” relata sua passagem pelo DOI de forma totalmente documentada por registros da época, ali pode-se ver a verdadeira guerra travada na época.

    A versão predominante na época era de acordo com quem estava no poder e hoje é de acordo com quem está no poder, mas “nunca antes na história desse país” se viu mentirosos tão ardis e profissionais como os de hoje.

    Resumindo:

    1- Não há provas concretas contra Ustra
    2- Ustra colocou em risco sua vida e da sua família contra a Ditadura do Proletariado
    3- A grande parte desses torturados são mentirosos natos
    4 – Conclusão:
    Ustra torturou – não se sabe.
    Ustra dedicou a vida contra comunistas terroristas – sim.
    Estes comunistas estão hoje no poder e são extremamente histéricos, sem compromisso com a verdade e vingativos – sim

    O melhor é correr atrás dos fatos ou reproduzir as decisões da Comissão da “Verdade” Comunista? Correr atrás dos fatos ou acreditar na mídia e no establishment esquerdista?
    Conservadores idiotas úteis são de muita ajuda ao socialismo!

  3. Cara Norma,
    Há uma outra perspectiva possível sobre este assunto, baseada nāo em especulaçōes ideológicas mas na apuraçāo dos fatos. A questāo que se deve colocar é: Ulstra foi de fato um torturador? Há razōes para duvidar. Quem estudar o comportamento dos guerrilheiros esquerdistas terá convicçāo que não se pode confiar em nada que dizem. Aliás, este tipo de mentalidade tem sido amplamente demonstrada pelos últimos governos, chefiados pelas mentes deturpadas de Lula e Dllma: mentiras a baciadas, sem escrúpolos de qualquer espécie. Neste caso, o papel de Bolsonaro tornaria-se benigno, ao denunciar a fraude esquerdista na tal Comissão da Verd???ade???. Ulstra escreveu o tal livro “A verdade sufocada” para esclarecer as mentiras comuno petistas. Seria razāo mais que suficiente para ser perseguido pela máquina do assassinato de reputaçōes. E verdade para os cristāos é coisa séria. Mais séria que nossa reputaçāo.

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