As propostas políticas do Príncipe da Paz

achernar-2-sHá muito debate sobre a data em que a Igreja católica (aquela do artigo 9º do Credo Apostólico) se lembra de uma forma especial do nascimento do Salvador. Vamos deixar este debate de lado por um momento. Fato é que, pelo menos para a Igreja do hemisfério Norte, o final de dezembro é uma época muito apropriada para se lembrar da vinda do Príncipe da Paz. É no final de dezembro que ocorre o solstício de inverno, que marca o dia mais curto do ano. Em outras palavras, é a época quando as trevas mais demoram e se prolongam. Também na Palestina.

É chamativo o fato de que a Igreja veterotestementária esperava a vinda da Luz para espantar as trevas. Quando o sacerdote Zacarias, cheio do Espírito, profetizou acerca do nascimento e ofício do seu filho João Batista, ele fez questão de declarar que a salvação e redenção tão esperadas tinham tudo a ver com a certeza que “… nos visitará o sol nascente das alturas, para alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos pés pelo caminho da paz.” (Lucas 1.78)

Zacarias conhecia bem as Sagradas Escrituras. Os profetas tinham falado muito da vinda da Luz em meio das trevas. Malaquias (4.2) falou: “Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas.” Isaías (9.10) declarou e Mateus confirmou (4.14) a chegada do Cristo usando também a metáfora da luz: “O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz.”

Assim foi. Em meio à escuridão da noite nas campinas de Belém, uma luz gloriosa brilha sobre os primeiros pastores que anunciaram as boas novas que o Salvador do mundo nasceu. Uma estrela brilhando na escuridão do firmamento guia os magos até o lugar onde o Verbo se fez carne.

A Luz resplandece nas trevas…

A Luz pressupõe divindade. Quando Jesus se declara a Luz do mundo, Ele se identifica com Deus. Deus habita em luz inacessível. Deus é luz, e não há nEle treva nenhuma (1 João 1.5). Cristo é a verdadeira Luz, que vinda ao mundo, ilumina todo homem. (João 1.9)

A Luz pressupõe opposição e conflito, a antítese entre o império das trevas e o Reino do Filho do Seu amor (Colossenses 1.13). No império das trevas reina a confusão, a imoralidade, o desespero, a perversidade, a morte.  “O caminho dos perversos é como a escuridão; nem sabem eles em que tropeçam.” (Provérbios 4.19) Quem anda na Luz, reprova as obras infrutíferas das trevas (Efésios 5.11) No Reino da Luz, reina não a confusão, mas a comunhão; não a imoralidade, mas a imortalidade; não o desespero, mas o despertar de uma nova vida; não a perversidade, mas a perseverança em fazer boas obras; não a morte, mas o amor. Como Jesus falou: “Quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.” (João 8.12) E como o apóstolo falou, “Que comunhão tem a luz com as trevas?” (2 Coríntios 6.14).

A Luz pressupõe vitória. “A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.” (João 1.5) Fato é que onde tem a luz, as trevas são espalhadas. Não conseguem resistir. Nesta ferrenha guerra mortal, quem está do lado das trevas perde. E é destruído. Será lançado nas trevas exteriores (Mateus 22.13).

A Luz pressupõe soberania na salvação. Quando Deus anuncia a vinda do Seu Filho, como a Luz para as nações, Ele deixa claro que toda a gloriosa iniciativa ficará por conta dEle: “… para abrires os olhos aos cegos, para tirares da prisão o cativo e do cárcere, os que jazem em trevas.” (Isaáis 42.7)  Da parte do pecador, total incapacidade e, portanto, total dependência da misericórdia divina; da parte de Deus, toda a glória.  “Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem” (v. 8).

A Luz pressupõe a presença do Reino de Deus: o governo divino diante do qual todo joelho se dobra, a exaltação da vontade de Deus e a alegre submissão da vontade do homem a ela, e o crescimento da justiça e paz na medida que o Reino de Deus avança com poder. Não é por acaso que Isaías começa o capítulo 9 falando do resplandecer da Luz, e apenas alguns versículos depois já está falando sobre o trono e governo de justiça e paz do Cristo.  O Rei Davi, instruído pelo Espírito de Deus, percebeu a estreita ligação entre a luz do sol e um trono fundamentado na justiça de Deus. “Aquele que domina com justiça sobre os homens, que domina no temor de Deus, é como a luz da manhã, quando sai o sol, como manhã sem nuvens, cujo esplendor, depois da chuva, faz brotar da terra a erva.” (2 Samuel 23.3,4). Onde há um governo que se submete ao Rei dos reis, que se submete à vontade dAquele que está sentado no trono do universo, que ordena obediência segundo os princípios das Sagradas Escrituras, que reconhece e respeita as ordenanças e instituições embutidas na própria criação, alí debaixo da luz do sol da justiça haverá um pais no qual brota a vida, a liberdade, a felicidade, e a prosperidade em todos os sentidos.

Por outro lado, onde tem um governo que se levanta e conspira contra o SENHOR e contra o Seu Ungido, que cria leis e regulamentos aleatoriamente e sem referência à vontade do Criador, que promove uma agenda que abraça a confusão de categorias e instituições embutidas na criação como gênero e casamento, ali haverá a escuridão do império das trevas, e ali murchará e morrerá tudo que é verdadeiro, tudo que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo que tenha alguma virtude, tudo que é louvável. O que cresce no escuro? Só a podridão, a putrefação, a impureza, a imundíce, a obscenidade, a baixeza, a grosseria, a infidelidade e todas as demais coisas relacionadas.

Procurando um messias

Como sempre, vivemos momentos de crise em nosso Brasil. Nosso pais está sendo assolado por trevas de todo tipo. A ideologia de gênero, o ataque contra a instituição de casamento, a imoralidade generalizada, a corrupção, a injustiça, a violência, a infidelidade e traição que são considerados uma parte normal da vida, a instituição da família está cada vez mais sob ataque, e nem a vida no útero está segura contra as tentativas de muitos para legalizar o assassinato de bebês não nascidos. Como sempre, estamos sendo tentados a procurar um messias, alguém que vai salvar a pátria, que porá ordem na economia e na sociedade em geral, que aplicará o freio nesse processo vertiginoso de deteriorição da moralidade e destruição da família.

Mas o Salmo 146 nos ensina que não devemos procurar um messias que é meramente homem. Nem se ele tiver o nome “Messias” na sua identidade. Só tem um Messias que pode reverter o quadro, que pode trazer esperança, que pode por ordem no caos deste mundo caído, este calderão que ferve e se agita em rebelião contra o Senhor e o Seu Cristo. Este Messias do qual precisamos é o Senhor Jesus Cristo.

Ele nasceu, Ele veio como luz nas trevas. O governo está sobre seus ombros. Ele que é eterno Filho de Deus, é também o grande filho de Davi que está sentado no trono de Davi. Como raiz e geração de Davi (Apocalipse 22.16), Ele entende que o único governo que dá certo é aquele que é administrado conforme a vontade de Deus e à luz da Palavra e vontade de Deus. Por isto, Ele é chamado “a brilhante Estrela da manhã”.  Justiça e direito são o fundamento do Seu trono (Salmo 89.14). Como diz o Credo Niceno: o Seu reino não terá fim. Como dizem Daniel,  Isaías, e outros profetas, o Seu governo vai aumentar, e com Seu governo crescente também a paz e justiça vão aumentar, até que Seu reino derrube todos os impérios dos homens revoltados, até que Seu reino está enchendo toda a terra, até que toda a terra “terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Habacuque 2.14).

O que precisamos fazer?

Nunca teremos êxito em buscar um Brasil melhor baseado em mudanças meramente políticas e institucionais. Brasil precisa de uma mudança mais profunda, mais radical. Precisa de uma mudança na própria alma. A Igreja precisa orar e trabalhar, para que os nossos governantes e os nossos concidadãos sejam confrontados com a santa vontade de Deus em todas as áreas da vida e da sociedade. Precisamos continuar em oração regular, frequente, e fervorosa para que o governo, cujo coração está como ribeiros de águas na mão do Senhor, se incline segundo o Seu querer não por obrigação, mas por profunda vontade que surge do entendimento de que a obediência traz vida, e a rebelião traz a morte. Nem sempre conseguiremos eleger governantes que tem corações regenerados. De fato, isto talvez será e continuará sendo uma raridade. Mas podemos rogar a Deus, para que em Sua graça “comum”, Ele possa dirigir os corações e esclarecer as mentes dos nossos governantes ao ponto de eles perceberem, mesmo no seu estado não regenerado, que legislação desenvolvida em conformidade com a vontade do Criador sempre será para o bem e para a prosperidade do nosso pais.

Para conseguir isto, precisamos fazer mais do que apenas orar. Precisamos nos organizar. Precisamos agir. Os nossos irmãos reformados no Canadá tem uma associação de ação política (ARPA). Eles criam documentos analisando projetos de lei à luz dos princípios das Sagradas Escrituras. Eles realizam reuniões com parlamentares, e publicam editorias nos jornais de circulação nacional. Milhares de reformados pagam um pequeno valor mensal que permite a associação contratar advogados e outros profissionais para promover a visão bíblica e reformada. Os advogados da ARPA já foram ouvidos várias vezes pela Suprema Corte em vários julgamentos sobre assuntos importantes, como a liberdade de religião e questões morais.

Por que não fazer algo semelhante aqui no Brasil? Nós já temos o excelente trabalho da ANAJURE que foca em lutar para manter a liberdade religiosa. Mas podemos fazer mais. O que falta no cenário brasileiro é um projeto que proclama e promove uma visão bíblica sobre todo aspecto da vida e da sociedade, que oferece uma analise bíblica e reformada para os nossos políticos sobre todos os assuntos que estão diante do Congresso, dos legislativos estaduais, e das cameras de vereadores municipais.

e as trevas não prevaleceram contra ela

Não fique pensando que isto é grande demais para nós. Não fique pensando que não adianta. Fato é que a derrota do império já está decretado. O Reino da Luz crescerá até o dia quando não vai sobrar nenhuma sombra, pois até a noite vai desaparecer e viveremos para sempre na luz do Sol da Justiça. Quando as coisas parecem mais escuras e a causa parece mais perdida, é naquele momento que a luz do brilho da glória de Deus irrompe com mais estrondoso poder para dentro do nosso pequeno mundo.

Veja o que aconteceu com aquele bebê que nasceu como luz em meio das trevas. No momento que o diabo pensou que tinha conseguido apagar esta pequena faísca, Ele triunfou sobre os poderes deste mundo tenebroso, explodiu com vida, saindo do túmulo, e iniciou o progresso invencível e imparável do Seu reino. Aquele que tinha somente doze discípluos agora é conhecido e reconhecido por bilhões de pessoas no mundo inteiro.

Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos; pelo contrário, rejeitamos as coisas que, por vergonhosas, se ocultam, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; antes, nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade. Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus. Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.

(2 Coríntos 4.1-6)

Entendeu o recado? Chega de ficarmos parados. Chega de desfalecermos. Chega de nos acomodarmos às coisas vergonhosas promovidas por aí. Chega de adulterarmos a Palavra de Deus para justificar a nossa tolerância das nojeiras que são exaltadas em nossos dias.  Conhecemos a Luz do mundo. Ele tem resplandecido em nossos corações. O brilho da glória dEle enche as nossas vidas. Tornemo-nos então irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplendecemos como luzeiros no mundo, preservando a palavra da vida. Tudo isto, nAquele que é o Verbo que se fez carne.

Feliz Natal.

 

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