Uma Alternativa à Auto-Sabotagem Sindical

por Jackson Salustiano

O que leva movimentos sindicais a deflagrar diversas greves é o pleito pela atualização do ‘salário base’ da categoria. De fato, a prática da greve como a solução para essa demanda é “um processo de barganha coletiva”. Esse processo alega legitimar a “quebra de contrato” e, com isso, a “quebra… do mandamento ‘não furtarás’, além de implicar perjúrio”. O processo ainda “almeja se transformar numa espécie de chantagem” em inúmeras ocasiões.

Isso, sem dúvida, gera prejuízos à sociedade: por exemplo, a paralisação de serviços muitas vezes essenciais. Sem contar que a liberdade sagrada de ir e vir é rotineiramente violada ou pelo menos restringida por passeatas, obstruções e piquetes em certas áreas públicas. Os direitos de terceiros são, assim, feridos. A ética cristã resumida no segundo ‘grande mandamento’ é desrespeitada como um todo.

Mas existe possível mobilização legítima? Sugiro uma atitude a “levar em consideração a possibilidade de uma maneira mais criativa e moralmente aceitável de ação coletiva” promovida pelo cristão trabalhador. Trata-se da movimentação de seus pares para exigir dos representantes sindicais que a negociação das condições laborais da categoria sejam antecipadas, uma vez que são previstas, pelo menos, com um ano de antecedência.

Isso evitaria que as representações de classe permitissem, de forma leviana e até mesmo com negligência, a repetida negociação de última hora para ‘criar um fato’ que vivem rotulando de prejuízo, levando-as a tomar a medida drástica de paralisação. Na verdade, são as próprias representações de classe que precipitam de propósito essa auto-lesão. Com amigo desse naipe, quem precisa de inimigo?

Essa prática, bem corriqueira nas representações sindicais no Brasil, deve ser rejeitada e denunciada pelo trabalhador cristão. Ela não se coaduna com qualquer princípio ético bíblico. Pelo contrário, revela um pacto de hipocrisia engendrado pelos agentes representativos das associações. Esse pacto deve ser suplantado a todo esforço pela atuação criativa e ética do cristão no fronte de sua vocação funcional instituído pelo Criador.

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4 pensamentos sobre “Uma Alternativa à Auto-Sabotagem Sindical

  1. Texto pertinente. De fato, há muito abuso com essa questão do “direito de greve”; a prática tornou-se rotineira nas agendas do movimento sindical. Todavia, penso que nesse caso não há quebra do mandamento “Não furtarás”, uma vez que o período de paralisação deve ser reposto ao fim do movimento.

    • Entretanto, Zaqueu, note que haverá o defraudamento de quantos cidadãos venham a ser prejudicados em seu direito de ir e vir, lembrando que o patrimônio humano não é somente material, mas, também, imaterial.

  2. O PROBLEMA PARECE ESTAR NA ORIGEM E NATUREZA DESSE BLOG POLÍTICA REFORMADA: A ÓTICA DA MAIORIA DE SUAS ANÁLISES É CONTAMINADA COM UM RANSO CONSERVADOR QUE, VIA DE REGRA, APOIA-SE EM TRANSLITERAÇÕES INAPLICÁVEIS DE TEXTOS E CONTEXTOS BÍBLICOS HISTÓRICOS ANTIGOS ESPECÍFICOS COMPLETAMENTE DISTINTOS DOS DE HOJE PARA AS SITUA’CÕES CONRETAS E COMPLEXAS DE HOJE . ALÉM DO QUE QUAL A VIVENCIA, QUAL A EXPERIÊNCIA CONCRETA DO AUTOR COM ESTAS QUESTÕES(NEGOCIAÇÃO ENTRE INTERESSES DOS TRABALHADORES E OS INTERESSES PATRONAIS LIGADOS AO CAPITAL, SEJA EMPRESARIAL OU AO PRÓPRIO ESTADO) PRA SABER DA VIABILIDADE DISSO OU DAQUILO. VIVI ISSO NA PELE E POR ISSO PENSO QUE PERCEBO O QUANTO É FACIL CRITICAR E TEORIZAR DOGMATICAMENTE A RESPEITO.

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