Heroísmo no Senado Americano

por Lucas G. Freire

Rand Paul, Senador no Congresso dos EUA, decidiu usar seu direito de fala para protestar contra a política antiterrorista da presidência americana. Obama tinha colocado a voto a sua indicação do novo chefe da Agência Central de Inteligência (CIA). O Senado precisa de ouvir os dois lados do debate antes do voto, e não há limite de tempo. O Senador Paul disse que iria falar até não poder mais. Ele só parou treze horas depois.

A República americana tem se tornado cada vez mais uma ditadura arbitrária, centralizada, inconstitucional. O atual programa antiterrorista permite ao presidente não só a detenção indefinida, mas também o uso de “técnicas avançadas de interrogamento” (leia-se “certos tipos de tortura”) e sequestro de suspeitos para “averiguação” em território estrangeiro.

Porém, o ponto principal enfatizado pelo Senador Paul foi o da “execução extrajudicial” através do uso de aeronaves não tripuladas. Até o momento, nenhuma pessoa foi executada dessa forma em solo americano. Apesar disso, ouve-se toda hora a respeito de operações secretas desse tipo, em que o governo dos EUA simplesmente envia uma dessas aeronaves para invadir território estrangeiro e eliminar “suspeitos de terrorismo”.

A Constituição dos EUA, séculos de civilização ocidental e o bom senso estipulam que suspeitos de qualquer tipo de crime devem ser identificados, acusados, defendidos, julgados e sentenciados através do processo devido. A presidência americana tem expandido cada vez mais seu poder, e o uso de execuções extrajudiciais é mais um sintoma: um suspeito é simplesmente assassinado sem qualquer processo na justiça.

Mais recentemente, o problema piorou quando foi admitido abertamente que até mesmo cidadãos americanos podem ser, e são, mortos pelo seu próprio governo dessa forma. A pergunta colocada foi se as aeronaves não tripuladas seriam utilizadas eventualmente em solo americano. Ao invés de responder que isso é ilegal, além de bárbaro, o Presidente dos EUA e o Procurador-Geral disseram que “não têm intenção” de assassinar em território doméstico!

Rand Paul denunciou essa resposta e a violação patente dos direitos fundamentais garantidos pela Constituição pelo sistema judiciário. Uma das grandes contribuições da bíblia e da civilização ocidental levadas adiante pelo pensamento político reformado é a noção de “estado de direito” – a ideia de que nem mesmo um Monarca é absoluto no sentido de estar acima da lei.

Algumas vozes têm se levantado para defender a justiça pública e a liberdade fundamental do povo. Outras têm preferido seguir o curso radical e revolucionário que não dá a mínima para o estado de direito. Se continuar impune nesta terra, a liderança dos EUA terá ao menos de prestar contas diante do Tribunal Eterno.

Parafraseando Sto. Agostinho, a única coisa que diferencia o magistrado civil legítimo de uma quadrilha de mafiosos é a justiça. A única coisa, além da graça de Deus, que no momento tem protegido o sistema americano da completa degeneração é o esforço heróico de líderes como o Senador Paul e de cidadãos comuns que não se cansam de protestar e resistir.

Anúncios

Deixe seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s